Publicado 08 de Agosto de 2015 - 15h41

Por Inaê Miranda

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Inaê Miranda

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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As vítimas de acidentes na Rodovia Santos Dumont (SP-75), que liga Campinas a Indaiatuba, deixarão de contar com o atendimento de médicos nas ambulâncias de suporte avançado, a partir de setembro. Em caso de acidentes, os usuários contarão apenas com socorristas. A medida preocupa especialistas já que o atendimento médico imediato em caso de acidentes graves é fundamental e pode significar a vida do paciente. A concessionária não informa o motivo e diz que o atendimento pré-hospitalar oferecido aos usuários manterá o padrão de qualidade.

Oito médicos e cinco enfermeiros que se revezavam em plantões teriam sido dispensados e o motivo seria a redução de custos. A concessionária AB Colinas, responsável pelo trecho, não confirmou os números nem o motivo. Em nota, afirmou apenas que o serviço de atendimento pré-hospitalar continuará tendo em sua estrutura um médico regulador, que presta assistência a todas as equipes em atendimentos aos usuários, executando todas as tarefas de regulação médica. Informou ainda que a presença de médicos nas ambulâncias de socorro das rodovias não é obrigatória.

A partir de setembro, o atendimento pré-hospitalar deverá ser feito por resgatista, socorrista, técnico ou auxiliar de enfermagem, ou enfermeiros. A concessionária explicou que a composição desses profissionais varia de acordo com o tipo de ambulância e de atendimento. A partir da solicitação, o médico regulador define qual atendimento será prestado. Ressaltou que as esquipes são qualificadas e possuem formação plena para atuar no socorro às vítimas, recebendo treinamento contínuo. A Colinas afirmou que desta forma contínua cumprindo integralmente as obrigações estabelecidas pelo edital de licitação.

Mesmo que não esteja ferindo as normas do edital de licitação, a saída da equipe de médicos e enfermeiros deve interferir na qualidade do atendimento. O médico José Roberto Hansen, coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Campinas, ressalta que os acidentes em rodovias, pela alta velocidade, costumam ser graves. “Ou o paciente vai a óbito no momento ou deve ser atendido imediatamente para chegar a um Pronto Socorro e ter alguma chance de sobrevida. A ação do médico é fundamental nessa hora”, diz.

Hansen destacou a importância do trabalho do socorrista, que é treinado para fazer o atendimento de suporte básico: colocar colete cervical, ajudar a retirar os pacientes das ferragens, além de outras funções. Mas a avaliação médica deve ser feita exclusivamente por um profissional médico. A falta deste atendimento pode significar a vida do acidentado. “Se não tem esse profissional atuando diretamente no acidente, possivelmente a pessoa não será bem atendida. Por melhor profissional que o socorrista seja, não vai saber se o paciente tem um pneumotórax, um trauma de face. Se tiver que fazer um procedimento na traqueia do paciente o socorrista não vai conseguir fazer”, observou.

O médico acrescentou que mesmo com o aumento da segurança nas rodovias e com as reduções de acidentes é preciso garantir assistência de qualidade à população. “Não adianta fazer de conta que tem. A competência do socorrista não permite que ele faça mais do que pode fazer. A Colinas mandando os médicos embora está até dentro da legislação porque não tem essa obrigação, mas isso pode comprometer a qualidade do atendimento”, completou.

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Inaê Miranda