Publicado 07 de Agosto de 2015 - 16h19

Por Raquel Valli

Raquel Valli

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Do Correio.com

Fotos: Janaína

PS: A Prefeitura ficou de me mandar a resposta pelos e-mails [email protected] e [email protected]

Até agora, às 16h20, não respondeu nada

Protetores de animais de Monte Mor cobram da Prefeitura a criação de um Centro de Controle de Zoonoses, um local específico para abrigar animais de rua e a implantação de um programa público de castração de cães e gatos na cidade. O objetivo é atender animais abandonados nas ruas e também feridos ou doentes.

De acordo com os ativistas, a Prefeitura prometeu, em uma reunião em agosto do ano passado, entregar o CCZ em janeiro deste ano. Entretanto, até hoje, um ano depois, o centro ainda não foi entregue.

Segundo o prefeito Thiago Assis (PMDB), o motivo para o atraso é falta de verbas, que vem acometendo todas as prefeituras. Assis prometeu que o centro será entregue ainda em 2015, mas não estipulou uma data.

As protetoras contestam que falta de recursos seja o verdadeiro problema. Elas dizem que uma ONG se disponibilizou a levantar a verba, desde que a Prefeitura doasse um terreno para a construção de um abrigo. A prefeitura declinou da oferta. Segundo as protetoras, a Organização Não Governamental Projeto Cão Feliz, de Hortolândia, quer abrir uma filial e construir um abrigo na cidade, mas precisa da doação de um terreno ou de uma área que seja alugada ou arrendada pela Prefeitura como contrapartida. O Poder Executivo não aceitou o acordo. “Não é simples assim”, disse o prefeito. “Não tennho como arranjar um terreno de mil metros para elas”, completou.

Para cuidar dos animais de rua, a prefeitura paga R$ 15 mil mensais a uma empresa de Mairinque. Todos os animais de rua que precisam de socorro em Monte Mor só podem ser atendidos por essa empresa de Mairinque. Isso causa grandes prejuízos à causa animal, já que muitos não resistem à demora pelo atendimento. Além da distância de 109 quilômetros que separa as duas cidades, as protetoras afirmam que, com essa quantia, elas poderiam cuidar, na ONG, de um número muito maior de animais. “A Prefeitura tem um cota de 20 animais por mês para enviar a Mairinque. Mande 20 ou mande só 2, ela paga R$ 15 mil do mesmo jeito. Mas, com esse dinheiro nós conseguiríamos cuidar de no mínimo 50 animais por mês”, afirma a protetora e advogada Jussara Forchet.

Campinas também contratou uma empresa de Marinque para cuidar dos cães campineiros. Um deles morreu este ano esperando o socorro que viria daquela cidade. Morreu após complicações em um cirurgia de castração realizada pelo Departamento de Proteção Animal campineiro.

Ainda segundo as ativistas, os moradores de Monte Mor não conseguem ajuda quando um animal é abandonado ou precisa de socorro. “Tenho documentação de vários pedidos de ajuda que nunca foram socorridos”, afirma Janaína Aparecida Viana. Cita, por exemplo, o caso de uma cão com bicheira na boca, que não conseguiu atendimento pela Prefeitura e que acabou morrendo porque não conseguia comer.

Intimidação

Janaína recebeu uma notificação extrajudicial do Poder Executivo afirmando que se não parasse com as postagens Facebook - informando sobre esse tipo de denúncia -, seria processada judicialmente. A notificação, assim como outras denúncias, foi postada em seu perfil no Facebook.

Impasse

De acordo com a protetora e advogada Jussara Forchet, a ideia de uma parceria entre uma ONG e a Prefeitura de Monte Mor, para que a criação de um abrigo fosse materializada, partiu do próprio prefeito em uma reunião entre as partes, em fevereiro deste ano. “Mas, agora que conseguimos uma ONG (a Cão Feliz), o prefeito disse que não pode ceder o terreno”.

Quando questionado pela reportagem sobre isso, Assis afirmou que a ideia da parceria foi mesmo dele, mas que não prometeu nenhuma área. Afirmou ainda que as protetoras não têm provas de que ele (prefeito) tenha prometido o terreno nessa reunião.

Castrações

As protetoras acusam ainda a Prefeitura de ter recebido dinheiro do governo do Estado para fazer 900 castrações, mas de só ter realizado 300. O prefeito afirmou que fez as castrações referentes ao dinheiro que a Prefeitura recebeu, mas não precisou a quantidade de recursos recebida e nem o número de procedimentos feitos. Afirmou que a assessoria de imprensa enviaria os dados à redação, que aguarda a resposta.

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Raquel Valli