Publicado 07 de Agosto de 2015 - 15h13

Por Bruno Bacchetti

Adriana Leite

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Elcio (Covabra, 05/08) e Janaina (personagens)

A retração da atividade econômica reduziu o poder de compra, deixando os consumidores desconfiados com o futuro e com a sensação de piora na economia para os próximos meses. Foi o que apontou o estudo “O Cenário Econômico na Visão dos Consumidores”, elaborado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), com 605 pessoas residentes nas 27 capitais brasileiras. Segundo a pesquisa, 56,1% dos consumidores acreditam na piora do cenário nos próximos meses em relação a 2014. Em março, esse índice era de 47%. Com o cenário desfavorável, uma das principais medidas adotadas pelos consumidores para driblar a crise é deixar o impulso de lado e pesquisar os preços antes de comprar. Pelas ruas do comércio campineiro, muitos consumidores circulam pelas lojas do Centro observando as vitrines e avaliando os preços.

“O consumidor começa a acreditar que a economia vai piorar, já que muitos percebem que o poder de compra está menor, seja em razão do desemprego e da alta da inflação, seja por que agora se encontram endividados”, explica o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior. “Assim, muitos decidem cortar gastos e isso acaba afetando diretamente o consumo e a economia”. A pesquisa apontou, ainda, que a confiança da população na recuperação diminuiu. No caso dos que esperam uma situação melhor, a porcentagem era de 27,%, e recuou para 17,8%. Entre os que acreditam em um agravamento da crise, a maioria (61,3%) argumenta que a sua própria condição financeira piorou em relação ao ano passado. As razões para esse fato são o endividamento (30,7%), a queda da renda (15,4%) e o desemprego (15,2%). Quase um terço dos consumidores está pesquisando antes de comprar (26,9%). As mulheres superam os homens e 38,9% das consumidoras ouvidas admitem pesquisar. Entre os homens, o índice é de apenas 14,9%.

O diretor da Rede Covabra, Ronaldo dos Santos, afirma que no primeiro semestre o setor supermercadista manteve o faturamento nominal do ano passado, mas teve uma pequena perda quando descontada a inflação. “Frente a outros setores, como construção civil, automobilístico e comércio, a situação ficou mais equilibrada. As pessoas não deixam de comprar os itens essenciais e o fluxo de compras de alimentos mantêm o movimento nos supermercados”, diz.

Ele ressalta que o setor está “brigando mais com os fornecedores” por preços. “A briga é no bom sentido. O objetivo é garantir preços competitivos e o menor repasse possível de aumentos para a ponta. Outra medida para garantir o equilíbrio das contas é a redução de despesas”, salienta.

O empresário comenta que a perspectiva para o segundo semestre não é pessimista, mas o sentimento é de apreensão. “O desemprego e a queda da renda são fatores preocupantes que impactam toda a economia”, diz. Ele acredita que a recuperação da economia não será tão rápida. Santos diz que não foram registradas demissões em massa no setor. O diretor da Rede Covabra pontua que nos últimos 12 meses a variação de preços dos produtos nos supermercados não foi tão elevada e o cenário desafiador não impede a rede de apostar na abertura de novas lojas. “Estamos inaugurando duas novas lojas em Jundiaí. Também temos um projeto da construção de um centro de distribuição em Sumaré. A inauguração do centro está prevista para o segundo semestre do próximo ano”, aponta. Ele calcula que os novos empreendimentos vão gerar entre 600 e 700 novos empregos. Hoje a empresa tem 2.100 funcionários.

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Pelas ruas do comércio campineiro, muitos consumidores circulam pelas lojam olhando as vitrines e pesquisando preços antes de comprar. O movimento no calçadão da Treze de Maio é intenso, mas o vai e vem de consumidores com as mãos vazias evidencia o momento conturbado para o comércio. A pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) mostrou que a maioria dos consumidores está evitando as compras parceladas e optando em comprar a vista, não sem antes pesquisar.

"Com certeza pesquiso antes de comprar, claro, é um hábito. Antes de comprar vou olhando e uma hora compra. Não tenho expectativa, do jeito que está ninguém está gastando nada", afirma o aposentado Eduardo Hideo Kawabata, de 60 anos.

Por outro lado, a advogada Cristiane Patelli, de 48 anos, faz parte da minoria ouvida pela pesquisa que não concorda que a economia esteja tão ruim. Para ela, a imprensa transmite uma sensação pior do que a realidade. Ainda assim, ela reconhece a necessidade de pesquisar antes de comprar. "Acho que vai melhorar, é muita propaganda e as pessoas acreditam. A economia é um problema global. Tenho o hábito de pesquisar, porque consigo preços melhores. Todo mundo aprendeu a pesquisar", diz.

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Bruno Bacchetti