Publicado 06 de Agosto de 2015 - 20h15

Por Adagoberto F. Baptista

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Campinas confirmou a morte de mais quatro pessoas por dengue e 59.150 casos da doença registrados até o momento. No total, a cidade contabiliza 11 mortes este ano e ultrapassa o recorde histórico de 2014, quando 10 pessoas faleceram. Além da dengue, de abril a junho desse ano foram quatro casos e três mortes por febre maculosa - infecção grave transmitida pelo carrapato conhecido como estrela, cujo hospedeiro é a capivara. O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) informou que nenhum dos casos de maculosa houve relato de frequência em parques e jardins públicos (leia mais nesta página).

Em relação à dengue, nos oito meses desse ano Campinas superou em 40% todos os casos registrados no ano passado inteiro - que teve 42.109 - e até então considerada a pior epidemia da história. Ontem, o secretario municipal de Saúde de Campinas, Carmino Antonio de Souza, admitiu que foi uma “enorme epidemia” neste ano, e que o momento a partir de agora é prevenção.

Os óbitos confirmados ontem ocorreram nos meses de março, abril e um deles em maio. Foram dois senhores, um de 73 anos (região Leste) e outro de 75 (Norte), uma mulher de 52 anos (Sul) e uma jovem de 38 (Norte). A secretaria informou que uma morte continua em investigação e outras duas foram descartadas. Dos casos, a pasta divulgou que são 219 casos em investigação e 2.056 foram descartados.

Foram registrados 1.458 casos em janeiro, 6.930 em fevereiro, 24.257 em março, 18.976 em abril, 6.399 em maio, 1.074 em junho, 56 em julho e, até o momento, nenhum em agosto. Dessa maneira, de acordo com Carmino, os números dos últimos meses confirmam que neste ano o pico da epidemia foi antecipado para março. O secretário já havia afirmado que não há garantias que Campinas fique isenta de uma nova epidemia em 2016, após surtos em dois anos consecutivos. “O importante da dengue é não parar de falar da dengue”. Ele destacou que foram feitos todos os trabalhos possíveis para controlar o avanço da doença. “De acordo com informações do trabalho de campo realizado pela Secretaria de Saúde, pelo menos 80% dos criadouros do mosquito estão nas casas e quintais das pessoas”, indicou o secretário.

As autoridades sanitárias ressaltaram que a situação climática precisa ser levada em consideração, pois fez mais calor nos últimos meses do que a média histórica registrada no mesmo período nas décadas anteriores. “Também contribuiu a escassez de água, situação que levou as pessoas a estocar o produto em reservatórios domésticos sem a devida proteção, se constituindo em criadouros para o mosquito Aedes aegypti”, justificou a secretaria de Saúde, em nota.

No restante do ano, serão mantidas as ações de combate a criadouros do mosquito transmissor da dengue. Entre elas, a telagem de caixas dágua, nebulização costal, vistorias de imóveis fechados ou abandonados e campanhas de conscientização da doença. No segundo semestre, a cidade terá também 616 agentes comunitários de saúde a mais, para ajudar no combate à doença. A Câmara aprovou em maio a criação dos cargos, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho. A legislação foi criada justamente para suprir o déficit da Secretaria de Saúde de pessoal para trabalhar no combate à epidemia.

BOX - A adaptação do vetor ao meio ambiente urbano, especialmente ao comportamento contemporâneo do intenso consumo de materiais descartáveis e destinação inadequada, é um dos determinantes do aumento do número de criadouros e proliferação do mosquito. O Aedes aegypti utiliza, principalmente, criadouros artificiais, como recipientes de plástico, pneus, latas (com destaque para as calhas e caixas dágua de difícil acesso) e outros produtos descartados e armazenados incorretamente pelas pessoas.

Historicamente, o período de janeiro a maio é o de maior incidência de dengue, por conta das condições climáticas que favorecem a proliferação do mosquito transmissor. Neste ano, o País registrou mais que o dobro nas notificações de casos de dengue até o final de maio, comparado ao mesmo período do ano passado.

Tabela dos casos de Dengue em Campinas

2010 - 2.647

2011 - 3.178

2012 - 979

2013 - 6.976

2014 - 42.109

2015 - 59.150 (até julho)

Campinas registrou entre abril e junho três mortes por febre maculosa - infecção grave transmitida pelo carrapato conhecido como estrela. O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), ligado a Secretaria Municipal de Saúde, confirmou na tarde de ontem que as mortes foram de uma mulher de 44 anos e dois homens, um de 46 e outro de 36 anos. Um senhor de 61 anos, residente da região Sul da cidade, contraiu a doença em maio, mas foi curado. Segundo o departamento, em nenhum dos casos registrados no município houve relato de frequência em parques e jardins públicos, e os óbitos não têm relação entre si.

O primeiro caso foi de uma mulher de 44 anos residente na região Sul de Campinas. A paciente morreu em abril. A segunda ocorrência refere-se a um homem de 61 anos, também residente na área Sul, que contraiu a doença em maio e evoluiu para a cura, ou seja, não houve morte.

A terceira é de um homem de 36 anos, morador da região Norte, e o quarto caso é de um homem de 46 anos, também morador da Sul, e o óbito foi em junho. Todos os casos da região Sul foram em locais diferentes, ou seja, não estão relacionados, informou o Devisa.

“Imediatamente após ser notificado sobre cada caso, o Devisa desencadeou as ações de saúde preconizadas, que incluem intervenções de vigilância epidemiológica e ambiental e ações de educação e mobilização social nos locais prováveis de infecção”, informou, em nota.

Em 2014 foram sete casos de febre maculosa e cinco mortes, e em 2013 três óbitos diante de seis casos registrados. Não existe vacina contra a febre maculosa e não é possível eliminar totalmente o carrapato. A população deve evitar frequentar as áreas de vegetação e de mato, onde há infestação de carrapatos-estrela e, portanto, locais de risco. Caso a pessoa passe por essas áreas, ou tenha de frequentá-las, deve ficar atenta aos sintomas da doença, que são febre, dor de cabeça, dor intensa no corpo, mal-estar generalizado, náuseas e vômitos. Ao apresentar um desses sinais, a pessoa deve procurar o serviço de saúde e informar que foi parasitada por carrapato.

Para todas as notificações, são desencadeadas medidas de controle que incluem ações de vigilância epidemiológica - com busca ativa de pessoas com sintomas da doença - e assistência aos pacientes, além de atividades de educação em saúde, em comunicação e mobilização social, assim como ações intersetoriais, como controle e intervenção ambiental.

Casos de febre maculosa em Campinas?

Em 2014, foram registrados sete casos de maculosa, com cinco óbitos.

Em 2013, foram confirmados seis casos de febre maculosa, com três óbitos.

Em 2012, foram seis casos, com três óbitos.

Em 2011, foram seis casos, com três mortes.

RETRANCA: Santa Bárbara confirma a primeira morte

Santa Bárbara d’Oeste confirmou a primeira morte por dengue esse ano, e investiga o óbito de um menino de 7 anos. A vítima é uma mulher de 57 anos, moradora da Vila Sartori. A Secretaria Municipal de Saúde informou que desde o começo deste ano foram registrados 1.932 casos positivos da doença. O menino de 7 anos morreu no dia 2 de julho no Hospital Estadual de Sumaré. O resultado deu negativo para dengue. O laudo com a causa do óbito do referido paciente, no entanto, será informado após fechamento do caso pelo GVE Campinas.

Sobre as ações de combate à dengue, a Secretaria garantiu que segue com as ações preconizadas pelo Ministério da Saúde. Entre elas: visitas casa a casa com orientações aos munícipes, bloqueio/nebulização nos casos confirmados e suspeitos, visitas borracharias, ferros-velhos, cemitérios, entre outros. Amanhã a será realizado no município o 2º Pedalando contra a dengue. A saída será às 8h30 em frente à Prefeitura, na Avenida Monte Castelo, no Jardim Primavera. A ação é voltada aos alunos da rede municipal de ensino, ciclistas e população em geral,” incentivando a prevenção ao mosquito transmissor da dengue”. Durante o percurso, os participantes seguirão pelos bairros Jardim Panambi, Jardim Alfa, Jardim Flamboyant, Santa Luzia e Vila Linópolis, com chegada a Praça Coronel Luiz Alves (Central), durante o Show na Praça.

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Adagoberto F. Baptista