Publicado 05 de Agosto de 2015 - 19h48

Por Adagoberto F. Baptista

IMPE coloca Campinas em estado de alerta para queimadas

Lauro Sampaio AAN

Pela primeira vez no ano o IMPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) colocou Campinas na lista vermelha de cidades com riscos de queimadas- a de alto risco- por causa das condições meteorológicas do município. No site do órgão ontem, terça-feira, 5, a cidade aparecia com a nota 08, dentro da escala de 0.7 a 0.95. A situação é considera crítica quando vai de 0.95 a 2. De primeiro de janeiro a 3 de agosto deste ano o município sempre apareceu na classificação dos municípios de baixo risco e indeterminado.

De acordo com o sistema do Impe, isso aconteceu porque a cidade vem registrando baixos indices de preciptações pluviométriocas- na cidade não chove desde 17 de julho- e a umidade relativa do ar ontem na cidade foi de 24%.6 (que colocou Campinas em estado de atenção pela Coordenadora da Defesa Civil do Estado e pelo URA (Monitoramento da Umidade Relativa do Ar). Além de Campinas, Nova Odessa, Paulínia, Sumaré, Santa Bárbara do Oeste, Arthur Nogueira, Americana, Holambra, Indaiatuba e Monte Mor figuraram no alerta.

Na lista do IMPE, Campinas figurou ontem na sétima colocacao do estado de municipios com registros de focos de incendio, com 3 casos, recorde do ano no município. Paulina ficou em quinto lugar com 4 focos, Hortolândia, em 37 (trigésimo sétimo), com 1 registro.

O coordenador regional da Defesa Civil de Campinas, Sidney Furtado, disse que, desde a semana passada,a pasta já tinha conhecimento da situação e que houve a intensificação das vistorias nas áreas consideradas de grande riscos de incêndio- são 54 áreas ao todo em Campinas- para evitar que os problemas ocorram e coloquem o ecossistema e moradores em situação de perigo.

"Hoje(ontem, terça-feira, 5 de agosto) mesmo fizeram 18 vistorias, um recorde no ano. VAmos intensificar esse trabalho diariamente até setembro, quando as chuvas começam a acontecer com maior intensidade novamente".

Furtado afirmou que, embora a cidade fosse colocada na lista de cidades em situação de risco elevado para incendios, a situação no ano com relação ao tema está bem mais tranquila do que no ano passado, quando a cidade registrou quase 400 ocorrências de incêndios. "O ano pasasdo foi atipico, porque foi o ano de maior estiagem dos últimos 84 anos. Este ano registramos até agora 12 ocorrências de incêndios de maiores proporções, o Impe, por exemplo, registrou 15 em Campinas de janeiro até agora, esse número pode ser maior no Corpo de Bombeiros, porque a corporação registra qualquer tipo de atendimento, desde o de pequena escala até o maior", explicou.

No ano passado, o clima seco fez disparar a quantidade de queimadas na região de Campinas. O aumento foi de 259%. No ano passado a Defesa Civil registrou mais de 400 focos de incêndio contra "apenas" 100 em 2013.

Box- Estado enfrenta situação crítica

A umidade relativa do ar no Estado de São Paulo tem estado baixa, com índices mínimos oscilando entre 20% e 35% no período da tarde. Os indicadores da Operação Corta Fogo demonstram um cenário crítico no Estado. O número de focos de queimadas e incêndios florestais detectados por satélite entre janeiro e 04 de agosto deste ano foi 113% que no mesmo período do ano passado. Aumento similar ocorreu com as ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros, que no 1º semestre de 2014 atendeu 127% mais chamados que no mesmo período do ano passado. E os prognósticos climáticos apontam pela frente um período com baixo volume de chuvas.

A combinação de estiagem, umidade do ar baixa e vegetação seca aumenta muito o risco de fogo. Os meses de agosto e setembro são considerados os mais críticos para risco de queimadas e incêndios florestais. Por isso, a CART está reforçando a Operação Corta Fogo, uma campanha de conscientização lançada pela ARTESP - Agência Reguladora dos Transportes do Estado de São Paulo, em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil Estadual, entre outros órgãos públicos.

Considerado o mês mais seco do ano, agosto começou registrando baixa umidade do ar em grande parte do Estado de São Paulo e tem média de 20 focos de queimadas por dia, concentradas no interior. A capital e a região norte do Estado entraram em atenção depois que a umidade relativa do ar ficou abaixo de 30% em cidades como Ribeirão Preto (23%) e Catanduva (21%).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que índices inferiores a 60% não são adequados à saúde. Com umidade entre 20% e 30%, recomenda-se evitar exercícios ao ar livre, consumir água e buscar locais protegidos do sol.

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Adagoberto F. Baptista