Publicado 05 de Agosto de 2015 - 19h00

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos: César Rodrigues

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O casarão histórico do Parque Jambeiro, símbolo de abandono durante anos, está com o projeto arquitetônico em fase de fechamento. Segundo a Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), da Secretaria de Cultura de Campinas, o projeto que ganhou o nome de “Revitalização das Ruínas do Casarão” prevê intervenções nas estruturas abandonadas como iluminação projetada e cobertura de vidro, nos mesmos moldes do casarão que integra o Parque das Ruínas, no morro Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Na capital fluminense, desde 1996 a antiga construção abriga centro de exposições e atividades educativas.

Além da fase de fechamento do projeto, a coordenadora do setor de patrimônio Daisy Ribeiro informou que o trabalho integrado entre as secretarias municipais de Cultura, Desenvolvimento Econômico e Turismo e do Verde, também avalia a apropriação de áreas próximas da fazenda (de 72 mil metros quadrados) para incorporar a um parque, com estrutura de visitação. “São três áreas relativamente grandes, sendo uma do Estado, de APPs (proteção permanente) e militar. Ou seja, temos um grande parque”, explicou a coordenadora. A fazenda teve 20% tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultura de Campinas (Condepacc), em 1993. Ainda não há um prazo, no entanto, para que o projeto definitivo seja colocado em prática.

Segundo Daisy, havia uma senzala na área externa e tem restos de muro de taipa no local, que foi construído em 1887. A ideia é transformar esses espaços em sítios arqueológicos e fazer escavações. “Vamos fazer um levantamento dessas áreas e do piso da senzala e o contorno da casa e interior. Vamos fazer um trabalho arqueológico no local”, explica a coordenadora. Uma lagoa também faz parte desse conjunto e, segundo a coordenadora, já houve uma intervenção da Secretaria do Verde com o replantio de árvores.

“Estou em contato com professores das áreas de arqueologia e arquitetura da Unicamp, que realizam o trabalho de pesquisas em fazendas, para discutirmos como trabalharemos o projeto de restauro e preservação das ruínas. Vamos começar esse processo nesse semestre ainda”, explicou Daisy. Os diversos salões do casarão poderão servir, segundo o projeto, para abrigar exposições, salas de leituras entre outras ocupações.

Em paralelo às ações da Prefeitura, um grupo intitulado “Amigos do Casarão do Jambeiro” tem feito um trabalho de fôlego no levantamento das histórias que cercam a antiga fazenda. Hoje com mais de 1 mil integrantes nas redes sociais, nos últimos quatro meses, segundo a coordenadora Daisy, o grupo tem procurado a coordenadoria em busca de dados e documentos. “Eles estão nos auxiliando nesse trabalho de ocupação do espaço e resgate junto da história junto à vizinhança das ruínas e em escolas. Tudo aconteceu muito rápido, e ganhamos uma ajuda desses voluntários que estão contribuindo para que eventos aconteçam com frequência naquele espaço”, detalhou. No último domingo, pro exemplo, o grupo Amigos do Casarão do Jambeiro, fez uma reunião no gramado em frente ao casarão abandonado, com música, massagem e piquenique.

O espaço tem sido mantido limpo por funcionários do Departamento Municipal de Parques e Jardins (DPJ), que realizam a roçada do gramado, a limpeza interna do casarão e a poda das figueiras que compõe um bosque com 32 árvores. Ainda assim, a relatos de que no local, à noite, a presença de pessoal consumindo droga é constante.

BOX - O Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro, se torna um belíssimo mirante de onde se tem uma visão do Centro da cidade e de toda a orla carioca - desde o Aeroporto Santos Dumont até a Urca. Aberto ao público, o Parque foi o que restou do Palacete Murtinho Nobre, onde morou Laurinda Santos Lobo. A casa foi um dos pontos mais efervescentes da vida cultural carioca durante muitos anos, até a morte da anfitriã, em 1946. O parque abriga uma sala de exposições, auditório e cafeteria, a shows musicais, happy hours e leitura de textos literários. Nas áreas ao ar livre se destacam concorridos shows e uma programação especial para as crianças nos finais de semana. Com três andares, a casa chama atenção também por sua arquitetura e estilo - tijolos aparentes combinados com estruturas metálicas e de vidro.

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Adagoberto F. Baptista