Publicado 04 de Agosto de 2015 - 18h05

Fotos: Divulgação

Fábio Trindade

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Espetáculos de improviso não são fáceis. Mesmo quem está há muito tempo na área, confessa o nervosismo antes de entrar no palco, afinal, se não há marcações e texto, qualquer coisa pode acontecer. Imagine então para quem é novo na parada. Para Luis Lobianco, por exemplo, experiente ator de teatro, com mais de 20 de carreira, e fera em fazer humor, já que é integrante do Porta dos Fundos, embarcar em uma peça de improviso é como estrear todas as noites. “Nossa primeira apresentação foi em maio, em Belo Horizonte, ou seja, estamos indo para o terceiro mês de peça. Mesmo assim, a sensação que eu tenho toda vez antes de subir ao palco é de que vou estrear”, diz.

Lobianco está falando de Portátil, o espetáculo do Porta dos Fundos que aporta hoje e dia 12, às 21h, no Teatro Brasil Kirin. Ele, Gregório Duvivier, João Vicente de Castro e Gustavo Miranda decidiram fazer algo novo: entrevistam alguém da plateia no início do show e encenam a história dela – com diversas licenças poéticas, claro. “São 21 anos de teatro, sempre trabalhei com improviso, mas apenas no processo, em pesquisa, até chegar no resultado e você apresentar rigorosamente aquele resultado em todas as sessões. Aqui não, todo dia é uma surpresa, é uma história, são personagens novos, desafios novos”, continua o ator.

Para isso acontecer da forma como deve, em todas as sessões, entretanto, foi preciso muito ensaio e dedicação. “Ficamos quase três meses trabalhando técnicas, ensaiando. Não temos um espetáculo formal, ele é improvisado. E é um espetáculo no formato longo, algo que no Brasil nem é feito. As pessoas conhecem muito o improviso de jogos. Aqui não, a gente conta uma história, de mais de uma hora de duração, do início ao fim, passando pelo meio. Todo o arco de dramaturgia é feito na hora”, lembra Lobianco.

Não pense, porém, que produzir e fazer espetáculos de improviso é para qualquer um. O trabalho foi possível, afirma Lobianco, principalmente porque eles contaram com a supervisão do colombiano Gustavo Miranda Angel e de Marcio Ballas, que já comandou na TV o programa É Tudo Improviso. “Ambos são atores especialistas no assunto. São mestres, que praticamente só fazem isso há anos. Eles nos apresentaram todas as técnicas, desde concentração até como sair de enrascadas. Tanto que a missão principal do improviso é de que não existe erro. Quando algo sai do contexto, ou dá branco, ou qualquer outra coisa, o ator de improviso tem que estar concentrado suficientemente para conseguir converter o erro a seu favor. Até porque a plateia adora quando algo sai errado.”

Obviamente, situações inesperadas acontecem o tempo todo. Mas todos os atores em cima do tablado, diz Lobianco, já lidam tranquilamente com isso. “Uma vez eu me confundi em uma cena, achei que um era o pai de alguém, só que deveria ser eu, então acabei entrando em cena fazendo outro personagem. Na hora tive que mudar e criei um personagem que basicamente era alguém se passando pelo pai de outra personagem. Tem que ser assim. A plateia vê o erro, mas se diverte porque percebe que realmente a peça está acontecendo, nascendo ali na frente dela."

Isso não quer dizer, mesmo sendo Porta dos Fundos, que o público encontrará apenas comédia no espetáculo. Como a história parte da plateia, as opções são inúmeras, cada uma com um tom diferente. "Tem histórias de superação, de gente que está longe da família, tem histórias divertidas, tudo depende de quem estiver falando. Então há comédia, mas pode ter muita emoção também, em histórias realmente comoventes", finaliza

Agende-se

O quê: Portátil, do Porta dos Fundos

Quando: Hoje, às 21h

Onde: Teatro Brasil Kirin (Shopping Iguatemi, Av Iguatemi, 777, Vila Brandina, fone: 3294-3166)

Quanto: De R$ 35 a R$ 70