Publicado 04 de Agosto de 2015 - 16h54

Por Alenita de Jesus

Recado: aguardo posição da PM.

Alenita Ramirez

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Foto: Elcio – garagem emprestada e do seo Ernesto que coloca cadeado e cerca elétrica

A onda de insegurança que atinge o Cambuí, Bonfim, Jardim Proença, Guanabara e Taquaral também leva medo para outros bairros da cidade e tem deixado os moradores em pânico. Desta vez, os relatos da violência e de momentos de pavor são dos que residem no Jardim Conceição, Vila 31 de Maio e Parque Brasília. A população se arma como pode. Confinados em suas residências que contam agora com cercas elétricas. Os vizinhos dividem suas garagens para que nenhum carro fique na rua à mercê dos assaltantes. Nos últimos 30 dias foram vários registros de roubo a residências e pedestres e furtos de veículos. O sentimento entre eles é de impunidade e vários moradores relataram que sequer registraram Boletim de Ocorrência por não acreditar na eficiência da Polícia.

Segundo os moradores, as abordagens ocorrem em qualquer hora do dia e os criminosos, que aparecem ora de moto, ora de carro, são oportunistas. “A gente nem faz mais boletim de ocorrência. A polícia não vai dar conta mesmo? Quando levam documentos, a vítima cancela e depois vai direto no Poupatempo e paga para fazer outro”, disse a diarista Maria Aparecida Costa, de 57 anos.

Anteontem à noite, um bandido armado invadiu uma farmácia na Rua Frederico Marcondes Machado, no Jardim Conceição, perto do fechamento, e rendeu funcionários e clientes. A ação durou menos de cinco minutos e deixou as vítimas amedrontadas. “A gente fica sem ação. Já fui assaltada umas nove vezes”, contou a comerciante que não quis ser identificada. Ela é uma das vítimas que não fez Boletim de Ocorrência.

Na semana passada uma estudante de 18 anos teve o celular roubado quando seguia a pé para a academia. Os bandidos estavam em uma moto e um deles armado. No dia 31, um motoboy que fazia entregas de malotes com documentos foi atacado por dois bandidos em um carro preto quando estava na frente da casa que seria feita a entrega, na Rua Secundino de Lino Monteiro. Os bandidos fugiram com a moto e as entregas. “Os roubos não são novidades para nós, mas o problema é que a situação está insuportável”, disse um farmacêutico de 49 anos.

A dona de casa Auxiliadora Curi Borges, de 41 anos, mora em um prédio na Rua Pixinguinha e precisou buscar ajuda da vizinhança para guardar um dos carros que a família tem. Como no edifício em que mora, o morador tem direito a uma vaga na garagem, um dos carros posava na rua. No início do mês, o carro amanheceu com uma das portas, danificada. Ladrões tinham tentado arrombar a porta, mas não conseguiram. Poucos dias depois, à noite, o casal estava no apartamento quando ouviu o alarme disparar. Os criminosos fugiram porque os moradores olharam pelas janelas. “Ficamos desesperados. Passamos a recorrer a vizinhança para ver quem tinha garagem para emprestar ou alugar. Estávamos dispostos até a pagar para guardar o carro”, contou Auxiliadora que conseguiu ajuda da balconista afastada pelo INSS, Marilda Antônia Silva Fernandes, de 50 anos, que mora no prédio em frente ao seu. “Temos uma vaga na garagem, mas não temos carro. Eu e meu marido ficamos sabendo da necessidade da Auxiliadora e decidimos ajudá-la”, disse Marilda.

Morador na Rua Piolim há mais de 20 anos, o aposentado Ernesto Luis Silvano, de 69 anos, afirma que nunca viu tantos casos de assaltos na região onde mora. Segundo ele, a maioria dos vizinhos já foi vítima de roubo. Ele mesmo foi atacado por criminosos quando chegava de carro em casa. “Coloquei cerca elétrica e desde então não deixamos carros na rua. Se algum de nós chega para deixar qualquer coisa em casa, guarda o carro na garagem e depois tira. O portão fica sempre trancado a cadeado”, disse Silvano.

Apesar dos relatos dos moradores, no 4º Distrito Policial (DP), que responde pelos bairros, não há registros de crimes nos últimos dias. Segundo policiais, não existem registros de casos de roubos e furtos nas vias citadas na reportagem, mas admitem um ou outro caso, esporadicamente, em outros locais. “Seria bom que a vítima registrasse o boletim de ocorrência na delegacia, pois é com base nele que a polícia fica sabendo dos crimes e investiga”, orientou a delegada assistente do 4º DP, Maria Bernadete Steter.

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Alenita de Jesus