Publicado 03 de Agosto de 2015 - 16h27

Fotos: Arquivo

Fábio Trindade

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Campinas infelizmente não tem mais um cinema de arte desde o fim do ano passado, quando o Topázio Cinemas fechou as portas no Shopping Prado por falta de público. Isso, porém, não quer dizer que os cinéfilos de plantão deixaram de ter oportunidades de conferir na cidade produções que fogem do circuito comercial. Apesar de não contemplarem longas recém-lançados pela indústria cinematográfica, como um complexo de cinemas normal, diversos espaços em Campinas oferecem regularmente programações e ciclos especiais que contam exclusivamente com obras tidas de arte. Só esta semana, por exemplo, três novos ciclos entram em cartaz no município, todos, como dito, para os amantes da sétima arte que passa longe dos blockbusters.

O Sesc Campinas abre hoje a programação com a mostra Entre Quatro Paredes, uma seleção de seis filmes que se passam em um único cômodo, entre eles os clássicos Janela Indiscreta e Doze Homens e Uma Sentença. Além disso, o Museu da Imagem do Som (MIS) de Campinas estreia, também nesta terça-feira, o Ciclo 1968 – O Cinema em Tempos de Revolução, com produções produzidas e lançadas entre 1967 e 1969 que serão comparadas com acontecimentos e fatos históricos do mesmo período. Para encerrar, o Cine CPFL Cultura de agosto terá como tema Sofia Coppola. Entre as obras da renomada cineasta, o espaço exibirá Encontros e Desencontros e Bling Ring – a Gangue de Hollywood. Ou seja, não falta opção para quem realmente quer apreciar cinema de arte e, com um detalhe: todas as sessões, dos três locais, são gratuitas.

Sesc

O filme mexicano O Anjo Exterminador foi o escolhido para dar início as sessões de Entre Quatro Paredes. O longa mostra um casal pertencente a sociedade aristocrata que convida um grupo de amigos para um jantar em sua luxuosa mansão. Tudo parece correr bem até que, após o evento, os convidados descobrem que estão presos em uma sala, embora não há nada físico que os prendam. A partir daí, aos poucos, as convenções sociais vão desaparecendo e as verdadeiras personalidades surgem. A sessão é hoje, às 19h30. Na quarta, no mesmo horário, é a vez de Doze Homens e Uma Sentença. O filme, um clássico cinematográfico, mostra o julgamento de um jovem porto-riquenho, acusado de matar o pai. Doze homens se reúnem para decidir a sentença, sendo que só um deles acha que é preciso avaliar melhor as circunstâncias antes de tomar a decisão.

Na próxima semana, dia 11, às 19h30, a terça será no clima de Alfred Hitchcook. Janela Indiscreta, outro marco do cinema, retrata um fotógrafo profissional que, após quebrar a perna, se vê obrigado a ficar confinado em seu apartamento. Com a falta de opções de lazer, ele começa a vasculhar a vida de seus vizinhos com um binóculo. No dia seguinte, dia 12, é a vez de Disque M para Matar, obra sobre um ex-tenista profissional que decide matar a mulher para herdar seu dinheiro.

Na última semana da mostra, no dia 25, os cinéfilos poderão relembrar Clube dos Cinco, sucesso que completou 30 anos em 2015. Toda a história se passa dentro de um colégio, onde cinco estudantes ficam confinados durante um sábado com a tarefa de escreverem uma redação sobre a visão pessoal de si mesmo. Para encerrar, Roman Polanski e o longa Deus da Carnificina. A sessão, dia 26, às 19h30, mostra o casal Nancy e Alan Cowan, que vai até a casa de Penelope para tentar resolver a briga dos filhos. O problema é que as diferentes personalidades fazem com que todos, aos poucos, percam o controle da situação.

MIS Campinas

Com o objetivo de refletir sobre os imaginários estéticos e sociais dos anos 60, traçando ainda um paralelo com a atualidade, 1968 – O Cinema em Tempos de Revolução é um convite ao espectador que quer pensar a respeito do importante papel social do cinema e, de quebra, como ele se mantém presente nos filmes da atualidade. Cineastas como Jean-Luc Godard e Brian De Palma retratan o ano que foi um marco na história do Brasil e do mundo, o ponto de partida para uma série de transformações políticas, éticas, sexuais e comportamentais que afetaram permanentemente as sociedades da época. Movimentos das minorias e dos direitos humanos articulavam-se com força, fazendo com que 1968 fosse o ano de conquistas, entre elas a da igualdade de direitos civis, da liberação sexual, do reconhecimento das lutas dos estudantes e da diversidade cultural. Por esses motivos, o cinema da época registrou a maioria dessas mudanças e sofreu ainda inúmeras modificações em sua essência, sendo um importante recorte para discutir as relações que a arte estabelece com o seu tempo. Confira a programação do MIS.

Hoje – Playtime: Tempo de Diversão (Direção: Jacques Tati)

Quinta-feira – Week-end à Francesa (Direção: Jean-Luc Godard)

11/08 – Beijos Proibidos (Direção: François Truffaut)

13/08 – Se... (Direção: Lindsay Anderson)

27/08 – Quem Anda Cantando Nossas Mulheres (Direção: Brian De Palma)

Todas as sessões são às 19h

CPFL Cultura

A filha caçula do cineasta Francis Ford Coppola, Sofia, debutou ainda bebê nas telonas, na cena do batismo de O Poderoso Chefão (1972), mas a sua influência na indústria, como qualquer amante do cinema sabe, passa bem longe disso. Sofia é a cineasta do vazio, conhecida pelo olhar humano e intimista que lança sobre seus personagens (normalmente mulheres jovens) na luta para descobrir o próprio caminho. Coloca protagonistas afogados no tédio em palácios, hotéis ou mesmo em mansões de celebridades em busca de sentidos para a vida. Uma importante discussão que será lembrada pelo Cine CPFL Cultura por meio de quatro filmes.

O longa de 2003 Encontros e Desencontros, será exibido quinta-feira, às 19h, e traz Scarlett Johansson e Bill Murray em Tóquio, em uma delicada relação de amizade e compreensão. Ela é uma jovem solitária casada com um fotógrafo que passa os dias trabalhando fora. Ele, um decadente ator de meia-idade que está na cidade para filmar um comercial. Personagens que se assemelham apenas na solidão, mas que, mesmo assim, decidem curtir a cidade e passam a ver a vida de outra forma.

Maria Antonieta, longa de 2006 com Kirsten Dunst (dia 13/08, às 19h), mostra a jovem princesa que dá nome a obra em seu sofrimento sem fim por ter casado com o jovem e indiferente rei da França Louis XVI (Jason Schwartzman). Por se sentir isolada numa corte real recheada de escândalos e intrigas, ela desafia a realeza e os plebeus ao viver como uma estrela do rock.

O público ainda pode conferir, no dia 20/08, também às 19h, Um Lugar Qualquer (2010), em que retrata um astro bem-sucedido e entediado de Hollywood (Stephen Dorff) que passa os dias dividido entre baladas, bebedeiras, entorpecentes e sexo fácil. Johnny Marco vive bem no lendário hotel Chateau Marmont, normalmente fora de si, só que vê seu mudo se transformar quando sua ex-mulher sofre uma crise nervosa e ele é obrigado a cuidar da filha de 12 anos (Elle Fanning).

Por último, Bling Ring – a Gangue de Hollywood (27/08, às 19h). O filme de 2013 é baseado em fatos reais e conta a história de um grupo de jovens de Los Angeles fascinado pela vida de glamour das estrelas. A “admiração” fez com que eles começassem a frequentar as festas dos famosos, descobrindo como era fácil sair de lá com alguns brindes, além de dinheiro e joias. Só que a brincadeira ficou séria, tendo despertado a atenção das autoridades após causarem rombos financeiros milionários.

Serviço

Sesc Campinas – Rua Dom José I, 270/333, Bonfim, fone: 3737-1500

MIS Campinas - Rua Regente Feijó, 859, Centro, fone: 3733-8800

CPFL Cultura - Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632, Chácara Primavera, fone: 3756-8000

BOX

Se o Topázio era o reduto inédito de cinema de arte de Campinas, o Cineflix Galleria tem suprido parte da seleção que antes era quase exclusiva do complexo do Shopping Prado. Toda semana, a rede localizada no Galleria Shopping oferece aos cinéfilos algum filme que não faz parte do circuito comercial (exatamente conforme prometido na época do fechamento do Topázio). Esta semana, por exemplo, estreou simplesmente um filme de Godard. Trata-se do francês Adeus à Linguagem, com sessões diárias em três horários. E não para por aí o catálogo diferenciado. Está a disposição do público também Kiriku: Os Homens e As Mulheres, animação francesa de Michel Ocelot. Há duas sessões diárias.