Publicado 02 de Agosto de 2015 - 14h43

Por Adagoberto F. Baptista

ÍíPor Thaís Jorge

[email protected]

Fotos: Leandro Ferreira/AAN

Estação Cultura é palco de projeto de integração e cidadania para comunidade haitiana

Primeira edição do Campinas de Todos os Povos reúne imigrantes haitianos para troca de experiências e fortalecimento comunitário; atividade ainda ofereceu serviço de cadastro de empregos e inscrição para curso de português

A Estação Cultura recebeu ontem a primeira edição do projeto Campinas de Todos os Povos, realizado pela Prefeitura por intermédio da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social. A ação, que teve início por volta das 10h e foi até as 18h, tinha como principais objetivos ajudar a comunidade haitiana que vive hoje na cidade a fortalecer vínculos e discutir as dificuldades enfrentadas, o idioma e o preconceito que sofrem ao chegarem ao País. “ Além disso, a intenção é promover o acesso à informação tanto para os brasileiros, para que enxerguem o migrante sem conceitos pré estabelecidos, quanto para os haitianos, para que conheçam seus direitos e sintam-se realmente acolhidos”, define o representante da comunidade na região, Berhman Garcon.

De acordo com ele, os maiores problemas enfrentados pelos haitianos no país envolvem preconceito e exploração de mão de obra. “Às vezes a pessoa está em um país diferente e não conhece ainda muito bem seus direitos, então acaba passando por situações que não deveria passar, sem saber a quem recorrer. E ter acesso à informação muda isso”, opina. A ação é uma oportunidade de conectar essas pessoas e, ao mesmo tempo, quebrar preconceitos e oferecer oportunidades. “Teremos cadastro de emprego aqui hoje, aula de português e outras atividades. É uma iniciativa que vai ajudar muita gente”, completa.

A programação ainda incluiu a venda de comidas típicas do Haiti e atrações culturais, além da apresentação da rede de serviços municipais e do programa Microempreendedor Individual (MEI), entre outras propostas. Conforme explicou o diretor do Departamento de Cidadania/SMCAIS, Fábio Custódio, “Campinas é sinônimo de encontro de povos e culturas e este evento deve significar, sobretudo, a possibilidade de troca de experiências e de enriquecimento mútuo, contribuindo para a superação da xenofobia e do preconceito que teimam em fazer morada no Brasil”.

Para Moniquet Valmy e sua prima, Kestana Charles Joseph, que vieram do Haiti para a região de Campinas há dois anos, a ação é válida. “Viemos para tentar uma vida melhor aqui. Lá, a situação já era complicada antes, e depois do terremoto ficou ainda mais difícil. Não havia empregos, não havia nada. Estamos gostando muito do Brasil, mas ainda não consegui meu objetivo, que é um trabalho fixo”, conta Valmy. Ele diz que já passou por dois empregos e que, em um deles, saiu porque sentia que era tratado com preconceito. “Foi muito ruim. Mas no geral, as pessoas nos acolheram bem no país. Agora preciso conseguir meu objetivo, e iniciativas como essa ajudam muito a gente a conhecer melhor onde estamos, conhecer outros haitianos, e mais oportunidades”, explica.

O departamento de Cidadania da cidade reparou que os núcleos espalhados por pelo menos quatro extremos de Campinas não se conhecem, e a ação de ontem serviu justamente para integrá-los e ajudar a traçar um panorama desses novos habitantes. Segundo estimativas da Secretaria Municipal de Assistência, Cidadania e Inclusão Social de Campinas, vivem hoje no município cerca de 900 imigrantes haitianos. Somente no distrito de Barão Geraldo são mais de 300 deles estudando e trabalhando na construção civil e em serviços gerais, de acordo com levantamento. Os demais estão espalhados por bairros dos distritos do Campo Grade e Ouro Verde. A maioria são jovens do sexo masculino que estão vindo principalmente do Acre até a cidade de São Paulo, de onde estão sendo encaminhados por meio de acordo com o Ministério da Justiça.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista