Publicado 04 de Agosto de 2015 - 14h00

Por Zeza Amaral

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Vi e ouvi em alguns programas televisivos críticas ao centroavante Walter do Atlético Paranaense, coisas do tipo “gordinho”, que ele não representa o biotipo do jogador de futebol, e os comentaristas das bancadas dos ditos programas cometeram chistes a respeito de sua inusitada figura, um tanto fora dos padrões dos boleiros profissionais.

Fico imaginando qual seria a reação de todos eles quanto às suas próprias barrigas, muitos deles estourando os botões de suas camisas, se alguém os criticasse quanto a isso. Massagistas e técnicos de futebol, por exemplo, são quase todos acima do peso ideal; sem contar a maioria dos cartolas. Serão eles exemplos de boa performance, hein?

Walter, o “gordinho”, deu um leve tapa na bola e fez o gol que levou o Atlético Paranaense à vitória contra o Palmeiras, na casa do adversário, estragando a macarronada da família palmeirense, mas, é claro, colocando um tempero a mais no churrasco da sua torcida.

Cerca de mais de 350 jogadores brasileiros foram negociados, no último ano (um acréscimo de 9% com relação ao ano anterior), com clubes europeus, asiáticos e norte-americanos, parte deles (180) com o futebol português, e os tais comentaristas esportivos reclamam de uma lei esportiva que proíba tais exportações, como se eles, os tais comentaristas, não trocassem de emissoras por um salário melhor quase sempre para atender a sua cartolagem de patrocínios e à sua clientela empresarial. E análise de futebol que é bom, ora, isso não interessa ao distinto torcedor.

E insisto nos sete a um; e da nossa eliminação na Copa América. Temos jogadores para exportar, mas, após um ou dois anos jogando lá fora, todos eles voltam para clubes brasileiros de terceira ou segunda divisão, com as raras e exasperantes exceções de sempre. Serviram apenas para lavagem de dinheiro, segundo investigações de perícias internacionais.

Futebol é uma atividade particular. Nada tem a ver com negócios de Estado. Mas é bom que saibamos que a menor borracharia do País tem de estar conforme as exigências da lei, sem as quais não poderá operar. Mas é o bom borracheiro, em qualquer canto da nossa viagem, que acorda de madrugada para consertar o pneu do nosso carro, nos dando o conforto para seguir em frente.

São dois pesos e uma única medida: os honestos pagam pelos erros dos bandidos. Quanto ao “gordinho” Walter, bem, eu gostaria de tê-lo no meu time.

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Zeza Amaral