Publicado 08 de Agosto de 2015 - 5h30

A inflação oficial do País, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,62% em julho - a maior para o mês desde 2004, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Com o resultado, o índice acumula alta de 6,83% nos sete primeiros meses do ano, a maior taxa para o período desde 2003. Em 12 meses, o IPCA avançou a 9,56%, novamente o maior resultado nesta comparação desde 2003.As contas de energia elétrica voltaram a ficar mais caras em julho e foram o principal impacto sobre o IPCA. A alta foi de 4,17%, segundo o IBGE. Além disso, a taxa de água e esgoto e o condomínio mais caros pressionaram o grupo Habitação, que avançou 1,52% em julho.A tarifa de energia elétrica respondeu por 0,16 ponto percentual da alta de 0,62% no IPCA do mês passado. Nas taxas de água e esgoto, o aumento médio foi de 2,44%. Com isto, Habitação ficou com o resultado mais elevado entre todos os grupos, sendo pressionado ainda por artigos de limpeza (0,65%), aluguel residencial (0,49%) e condomínio (0,49%).Alimentação e Bebidas

O grupo Alimentação e Bebidas acelerou de 0,63% em junho para 0,65% no IPCA de julho. Os alimentosos consumidos fora de casa subiram 0,77%, mais do que aqueles consumidos nas residências dos brasileiros, que avançaram 0,59%. Na mesa dos brasileiros, ficaram mais caros feijão (8,88%), leite longa vida (3,09%), cebola (2,85%), carnes industrializadas (2,14%), macarrão (1,13%) e pão francês (0,82%). Por outro lado, ficaram mais baratos o tomate (-10,77%), hortaliças (-3,05%) e óleo de soja (-1,22%), entre outros.Efeito dólar

O dólar já vem exercendo pressões sobre os preços dos alimentos, avaliou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Isso ajuda a explicar a alta de 0,65% no mês passado, a maior variação para o grupo desde 2012. Os meses de julho costumam ser de baixa nos preços da alimentação. De 1994 para cá, o grupo registrou dez deflações nesse mês - incluindo 2013 e 2014. Mas agora os agricultores reclamam do dólar, que se soma à energia elétrica como um fator de encarecimento dos custos.“Percebemos em vários alimentos a pressão do dólar e também da energia elétrica”, afirmou Eulina. “Os agricultores em geral têm atribuído muito à questão do dólar os aumentos de preço. Falam também que isso pode levar a uma redução da área plantada, em especial aquelas culturas que dependem de irrigação”.Segundo Eulina, comprar adubos fica mais caro por causa da moeda brasileira desvalorizado. Além disso, a irrigação é cara, e fica ainda mais onerosa diante da energia elétrica em alta do avanço nas tarifas de água e esgoto.“A redução de área plantada ocorre no feijão e no trigo. Muitos produtores não têm conseguido plantar na mesma área em que plantavam antes. Além disso, o dólar também afeta a pecuária, por conta do aumento de preços da ração”, explicou a coordenadora. “Além disso tudo, nesse ano, a seca foi muito forte. A safra vai ser recorde, mas os produtos foram muito prejudicados no início do ano pela seca”, acrescentou.Com relação à alimentação fora de casa, os bares e restaurantes não têm conseguido repassar o aumento dos custos para os clientes diante da queda na demanda. Com isso, o preço neste ano subiu menos do que os alimentos consumidos no lar, invertendo uma tendência que havia se firmado nos últimos anos.“Com o bolso mais vazio por causa de outras despesas básicas, comer fora tem se tornado um luxo e o número de pessoas nos restaurantes tem diminuindo”, disse Eulina. No acumulado dos sete primeiros meses de 2015, a alimentação fora de casa subiu 6,46%, abaixo do resultado observado entre os alimentos consumidos no domicílio (7,76%), segundo o IBGE.Vestuário

O mês de julho foi de liquidações no vestuário e a principal razão foi a falta de movimento nas lojas. O Inverno não acabou, mas os comerciantes estão tentando desovar estoques o quanto antes, explicou Eulina. Por causa disso, o grupo Vestuário registrou queda de 0,31% nos preços em julho. “O pessoal está antecipando a liquidação de Inverno, dada a retração que está sendo observada no comércio”, afirmou Eulina. (Da Agência Estado)