Publicado 07 de Agosto de 2015 - 5h30

Conversas cada vez mais frequentes sobre um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff, piora dos fundamentos políticos e econômicos e um afastamento cada vez maior do Executivo e do Legislativo geraram um clima de pressão no mercado brasileiro de câmbio, levando o dólar a encostar nos R$ 3,60 na máxima do dia. Mas perto do fechamento a moeda americana recuou um pouco, e encerrou o dia a R$ 3,536, numa forte alta de 1,35% - a sexta consecutiva e maior valor desde 5 de março de 2003, quando fechou a R$ 3,555. Nas casas de câmbio, o dólar turismo chegou a ser comercializado a R$ 3,97 no cartão pré-pago (R$ 3,76 em espécie).As pressões para um processo de impeachment da presidente vieram desta vez de parte dos eleitores. Uma pesquisa do Datafolha divulgada ontem mostrou que 66% dos entrevistados querem que o Congresso inicie o processo para afastar Dilma do cargo.Igualmente grave, a mesma pesquisa mostrou que ela é agora a presidente com maior grau de rejeição desde 1990, quando esse tipo de levantamento começou a ser feito, com um índice de 71% de avaliação “ruim” ou “péssima”.Também contribuiu a aprovação, na véspera, de uma das chamadas “pautas-bomba” que aguardam votação no Congresso. Elas levam este nome porque causarão um aumento de gastos do governo num momento em que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tenta reconquistar a confiança do mercado e dos investidores enstrangeiros através de um duro ajuste fiscal - que obviamente fica comprometido com a aprovação destes projetos. O que foi aprovado anteontem, por exemplo, concede reajuste salarial para parte do funcionalismo público federal e vai custar R$ 2,45 bilhões anuais aos cofres públicos.Mais tensão

O quadro de tensão no mercado de câmbio não deve diminuir nos próximos dias. Segundo analistas, os principais focos no momento são as pressões crescentes pelo impeachment e o provável rebaixamento da nota de risco do Brasil pela agência Moody’s, cujo anúncio é esperado para antes do final deste mês.Também há uma série de outros fatores condensados nos próximos 40 dias que podem influenciar a moeda americana tanto para cima quanto para baixo, dependendo dos resultados que advierem deles - por exemplo, a entrega do relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as “pedaladas” do governo anterior de Dilma Rousseff e a reunião do Fed, o Banco Central dos EUA, no dia 17 do mês que vem, na qual espera-se que seja anunciada a primeira alta nos juros básicos da economia americana.Antes disso tudo, porém, os analistas afirmam que o dólar está com a proa apontada para os R$ 3,80 - valor que deverá ser atingido em breve e que estabelecerá um novo patamar médio de curto prazo.Diante da escalada da moeda, alguns analistas já acreditam em uma maior intervenção do Banco Central - possivelmente aumentando a oferta de swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares para rolagem), o que seguraria um pouco a cotação. Mas ninguém fala em uma queda significativa da moeda, salvo se acontecer algum fator extremamente positivo - algo do que não há qualquer sinal. (Helio Paschoal, com agências)