Publicado 06 de Agosto de 2015 - 5h30

Nos últimos 12 meses, a cidade de Atibaia perdeu 805 postos de trabalho - 768 apenas no setor industrial. Uma das que demitiram muito foi a Grammer, fabricante de assentos e encostos de cabeça para a indústria automobilística.Depois de promover centenas de cortes desde fevereiro de 2014, férias coletivas, férias e banco de horas, a empresa decidiu no mês passado aderir ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que prevê a redução da jornada de trabalho e dos salários - e foi uma das primeiras do País a fazê-lo. O programa foi instituído mês passado pelo governo federal depois de pressão das grandes centrais sindicais e do empresariado. A medida prevê que a jornada de trabalho poderá ser reduzida em até 30%, com uma complementação de 50% da perda salarial pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com valor limitado a R$ 900,84 (que corresponde a 65% do maior benefício do seguro-desemprego, de R$ 1.385,91).A adesão ao programa vai até 31 de dezembro deste ano. Entretanto, a empresa só consegue participar do programa se tiver feito um acordo com o sindicato dos trabalhadores do setor no qual atua e não ter nenhum débito tributário. Outra exigência é comprovar a dificuldade econômica-financeira. Segundo o governo federal, a empresa poderá utilizar o mecanismo por seis meses, com prorrogação, cujo limite máximo é de 12 meses. Durante a vigência do acordo, os funcionários incluídos no programa não poderão ser demitidos. E, depois do fim da vigência do PPE, os trabalhadores terão estabilidade no prazo referente um terço do período de adesão. O empresariado acredita que grandes setores e empresas poderão se beneficiar do programa, mas que para as pequenas empresas é complicado garantir que não haverá mais demissões e muitas têm dificuldades para pagar impostos e tributos ao governo. Socorro

A gerente de Recursos Humanos da Grammer, Luciane Ferreira, afirmou que a empresa já havia adotado todas as medidas possíveis para manter os empregos e equilibrar as contas antes de solicitar a adesão ao PPE. “A empresa vem desligando funcionários desde fevereiro do ano passado. Já estabelecemos férias e férias coletivas, usamos o banco de horas e fizemos até a redução de jornada para garantir a manutenção dos empregos. Nós aguardávamos pela medida provisória para oficializar a adesão ao programa”, comentou.Ela afirmou que a empresa protocolou o pedido no final de julho e aguarda um retorno do Ministério do Trabalho. “A medida foi adotada depois da empresa fechar um acordo com os trabalhadores e o Sindicato dos Metalúrgicos. Queremos evitar mais demissões diante de um quadro de queda dos negócios. O setor automobilístico está em retração desde o ano passado e nós estamos sentindo muito”, disse. No total, 472 pessoas que atuam na empresa terão a redução de jornada de trabalho e de salário. Na região, o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas informou que não há nenhum pedido até o momento. “Somos contrários ao PPE e não vamos assinar nenhum acordo aqui”, disse o diretor da entidade, Jair dos Santos.