Publicado 05 de Agosto de 2015 - 5h30

Depois de abrir em baixa, o dólar mudou de direção e fechou outra vez em alta ontem - pela quarta sessão consecutiva - novamente no maior valor em 12 anos. A moeda norte-americana terminou o dia a R$ 3,46. Com isso, o dólar acumula valorização de 30,30% sobre o real neste ano. O mercado repercutiu a declaração do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, de que a situação da economia americana teria de sofrer uma “deterioração significativa” para que ele não apoiasse uma alta das taxas de juros no país em setembro, numa fala que foi o sinal mais claro até agora de que o Fed (Banco Central dos EUA) deve mesmo iniciar o processo antes do final do ano.

Juros mais altos nos EUA atrairão para o país recursos hoje aplicados em outros mercados menos seguros, mas mais rentáveis, como o Brasil. Esse foi um dos motivos para a alta do dólar ontem. Um outro foi a entrevista do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que disse que “o dólar é flutuante e permanece flutuante” e que “alguns dos nossos principais parceiros estão em um momento de ajuste”, citando os Estados Unidos, que “deverão muito em breve ajustar sua taxa de juros, o que vem preparando com cuidado, mas de maneira clara”.

O ministro citou ainda a China, onde “vemos a evolução de uma situação que tem impactado preços de ativos de diversas ordens”. Levy se referia às oscilações das Bolsas chinesas, que perderam mais de 30% de seu valor desde que atingiram um pico em junho, alimentando preocupações nos mercados globais. (Das agências)