Publicado 05 de Agosto de 2015 - 5h30

A Operação Lava Jato deve mudar a formação societária do consórcio Aeroportos Brasil Viracopos, que detêm 51% do controle do terminal campineiro. A empreiteira UTC, que está sendo acusada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal do Paraná de suposto envolvimento em esquema de corrupção na Petrobras, deverá vender sua parte na sociedade para ajudar a cobrir dívidas que chegam a R$ 1,25 bilhão. O mercado estima que os 23% que correspondem a participação da UTC no aeroporto têm um valor entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões.

O aeroporto é um vetor de atração de novos investimentos para a região. Especialistas afirmaram que o impacto da Lava Jato sobre os negócios das empreiteiras envolvidas foi forte e será inevitável a venda de ativos. Viracopos no ano passado obteve uma receita liquida operacional (excluindo receitas de construção) de R$ 462,3 milhões. O coordenador do curso de Administração da Faculdade Anhanguera de Campinas – Unidade Via Norte, Carlos Augusto de Oliveira, afirmou que a UTC não terá outra saída para sair da crise. “A empresa está em uma situação delicada a partir das denúncias da Lava Jato. O grupo já perdeu muitos funcionários e tem dívidas em bancos”, analisou. “Não há outro caminho a não ser vender ativos, e Viracopos é o mais valioso deles. O terminal tem potencial para atrair novos investidores”, salientou. O coordenador acredita que a venda será importante para o País porque vai sinalizar para o mercado mais segurança e transparência. O professor de Economia da IBE-FGV, Múcio Zacharias, afirmou que “Viracopos é o maior aeroporto cargueiro do País e vem crescendo também no transporte de passageiros. O potencial é muito grande”.

Empresas investidoras já teriam sido contatadas para analisar o potencial do aeroporto pelos próximos 30 dias. A reportagem procurou pela UTC, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. (AAN)