Publicado 05 de Agosto de 2015 - 5h30

A produção industrial caiu 0,3% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, indica a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, no segundo trimestre, a produção acumula um recuo de 6,7% em relação a igual período de 2014.Sobre junho de 2014, a queda foi de 3,2% - a 16 taxa negativa consecutiva nesta comparação, algo inédito na série da pesquisa do IBGE, iniciada em 2002. Apesar disso, o recuo foi menos intenso do que os observados em abril (-7,9%) e maio (-8,9%), também na comparação com igual mês do ano passado, notou o IBGE. No ano, a produção da indústria acumula queda de 6,3% até junho. Já em 12 meses, o recuo é de 5%. A produção industrial recuou em 15 das 24 atividades pesquisadas. As quedas mais significativas, segundo o IBGE, foram registradas nos segmentos de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-12,7%) e de máquinas e equipamentos (-7,2%). A produção de veículos automotores, reboques e carrocerias recuou 2,8%.Do lado positivo, tiveram aumento na produção os setores de bebidas (+3,6%), produtos alimentícios (+3,0%) e de perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (+1,7%).Análise

A baixa confiança dos empresários e dos consumidores, o aumento do desemprego e a queda na renda das famílias são fatores negativos que pesam sobre a produção industrial, afirmou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para haver uma melhora na atividade, apenas com a reversão de todos esses fatores. “O baixo nível de confiança dos empresários e do consumidor, a incerteza para realizar investimentos e consumir, o aumento da taxa de desemprego, a renda disponível das famílias diminuindo, seja porque você tem inflação mais alta ou porque você permanece com comprometimento com outras dívidas, e o mercado externo ainda adverso pontuam trajetória descendente que marca a produção da indústria”, disse Macedo.“Se você reverte toda essa conjuntura desfavorável, pode ter melhora na produção. Ou seja, para qualquer reversão de cenário, esses fatores têm de sair desse contexto conjuntural. E são fatores que já estão assim há algum tempo”, reforçou Macedo.Volta no tempo

A indústria brasileira opera 12,2% abaixo de seu pico histórico, atingido em junho de 2013. Com isso, a atividade atual é comparável a níveis de julho de 2009, numa tentativa da indústria de tentar adequar os estoques acumulados à demanda, segundo Macedo.“A distância do patamar histórico nos dá dimensão da redução de ritmo”, disse. “Ao mesmo tempo, a situação lá em 2009 tinha motivações distintas. Foi uma crise internacional que trouxe incerteza para o mercado interno. Agora, a desaceleração chama muito mais atenção”, acrescentou.Segundo ele, a saída adotada pelo governo para a crise em 2009 foi investir no mercado interno, que estava em um momento melhor. “O estímulo via redução do IPI naquela época funcionou. Agora, tem-se uma queda significativa na produção e um possível esgotamento dessa política de incentivos, além de um mercado de trabalho que não está nada bem”, afirmou.De acordo com o IBGE, a baixa de 6,3% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2014 foi a mais intensa desde o primeiro semestre de 2009, quando a queda foi de 13% no mesmo tipo de confronto. (Da Agência Estado)LEIA MAIS NA PÁGINA A17