Publicado 04 de Agosto de 2015 - 5h30

O Bradesco informou ontem que adquiriu a filial do banco britânico HSBC no Brasil por US$ 5,18 bilhões (cerca de R$ 17,6 bilhões), em um negócio que já era esperado pelo mercado.Segundo maior banco privado do Brasil, atrás do Itaú Unibanco, o Bradesco informou que a operação “reduz significativamente” a distância que o separa de seu principal concorrente.“O Bradesco comunica ao mercado, a seus acionistas, seus clientes e funcionários que celebrou o contrato de compra e venda de ações com o HSBC Latin America Holdings Limited para a compra de 100% do capital social do HSBC Bank Brasil S.A.”, divulgou o banco em comunicado.A compra inclui o segmento de varejo, seguros e administração de ativos, bem como todas as agências e clientes do HSBC - que manterá sua presença no País para as grandes empresas.“Sempre tivemos uma posição de crescimento orgânico, por nossa própria rede, mas sempre estivemos atentos às possibilidades do mercado. Essa proposta do HSBC significava um ativo único dentro das ofertas que são cada vez mais escassas. Ao mesmo tempo, é um atalho para o crescimento”, disse o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco.Com essa operação, o Bradesco passa a somar 5 milhões de clientes, mais de US$ 18 bilhões em depósitos (cerca de R$ 61 bilhões de reais) e 1.315 agências. Além de afirmar sua liderança no setor privado pela quantidade de clientes, com 23,3% do mercado, o Bradesco passa a ter 13,8% dos depósitos totais e 16% dos ativos do País.Concentração

A corrida para comprar a filial do HSBC no Brasil incluiu o Itaú Unibnco e o Santander. O valor de venda estimado originalmente era de US$ 3,2 a US$ 4 bilhões.“O fato de que o valor do negócio tenha excedido as expectativas indica que houve uma concorrência forte nas ofertas. Isso já era esperado, considerado-se o atual ambiente macroeconômico no Brasil, que torna difícil para os bancos atrair clientes e aumentar sua participação de mercado”, disse o economista Francisco Alegrias, da IHS Global Insight. “Nesse contexto, uma aquisição parece ser o único modo de aumentar a participação”, acrescentou o especialista.Trabuco explicou, por sua vez, que a instituição que ele preside e que, agora administrará R$ 273 bilhões e uma carteira de crédito de R$ 517,8 bilhões não tem outras compras em vista. A conclusão da operação ainda está sujeita à aprovação das entidades reguladoras.Cortes

Após vários escândalos e resultados financeiros ruins, o HSBC informou no início de junho que cortaria 50 mil postos de trabalho, segundo o plano de reestruturação global que incluía a venda de suas atividades no Brasil e na Turquia.A venda de sua filial ao Bradesco “constitui uma etapa importante na execução das medidas anunciadas aos acionistas em 9 de junho”, afirmou o HSBC em comunicado. O banco pretende centralizar ainda mais a atividade do banco na Ásia, onde tem seu maior potencial de crescimento.A meta do HSBC, que também pretende transferir milhares de empregos para países com mão de obra barata, é reduzir seus gastos em algo em torno de US$ 4,5 a US$ 5 bilhões antes de 2017.Entre 1 e 30 de junho, o HSBC obteve um lucro líquido de US$ 9,61 bilhões, 1,31% a menos do que no mesmo período do ano anterior.  Compra recorde

A aquisição do HSBC Brasil pelo Bradesco é a maior já feita na história do banco brasileiro, de acordo com Trabuco. “É a maior aquisição no desenvolvimento histórico do banco. Desde 1943, o Bradesco fez 48 aquisições entre bancos, financeiras e seguradoras”, disse o executivo.De acordo com Trabuco, a aquisição do HSBC vai proporcionar ao Bradesco crescer e aumentar sua escala. Há complementaridade, segundo o executivo, em termos de agências, colaboradores e clientes, principalmente nas regiões Sul, Sudeste e no público de alta renda, que soma aproximadamente 1 milhão de clientes. “Temos baixa sobreposição”, afirmou ele, acrescentando que há “muita mão de obra complementar na sede do HSBC, em Curitiba, que pode prestar serviços para o Bradesco e que será avaliada”.Para Lázaro de Mello Brandão, presidente do conselho de administração do Bradesco, a aquisição do HSBC é um novo passo na estratégia de longo prazo do banco. “Esse negócio tem o propósito de reforçar o posicionamento do banco com reflexos nos resultados financeiros, agregando valor aos nossos acionistas”, avaliou.“Para o Bradesco, a aquisição possibilitará ganho de escala e otimização de plataformas, com aumento da cobertura nacional, consolidando a liderança em número de agências em vários estados, além de reforçar sua presença no segmento de alta renda”, destacou Luiz Carlos Angelotti, diretor executivo e de relações com investidores do banco. “A aquisição permitirá também a expansão de suas operações, com a otimização de oportunidades e aumento da gama e do diferencial dos produtos que são oferecidos no Brasil, especialmente nos mercados de seguros, cartão de crédito e administração de fundos”, acrescentou. (Das agências)