Publicado 06 de Agosto de 2015 - 19h05

Com A Memória que me Contam (Telecine Cult, 17h45, 14 anos), de 2013, a ex-ativista e, hoje, cineasta Lúcia Murat diz ter fechado um ciclo, o que envolve as impressões e o envolvimento dela na luta armada no Brasil durante a ditadura. Sintomaticamente, estamos numa UTI, onde agoniza a ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda. Em torno dela, reúnem-se velhos companheiros das organizações políticas, hoje, boa parte envolvida em cargos do governo — alguns olham até com certo desdém para o passado. Não por acaso, as discussões são ríspidas muitas vezes e, na pessoa de Irene (Irene Ravache), uma cineasta, Lúcia Murat expressa algumas de suas opiniões sobre o que foi a guerrilha e sobre a política contemporânea. Perdida diante da iminente morte da amiga, ela também precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero, ele mesmo, o dos faroestes famosos), o marido acusado de ter matado duas pessoas em atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália. As semelhanças com a realidade não são coincidências.