Publicado 02 de Agosto de 2015 - 19h05

A sessão solene de agosto da Academia Campinense de Letras (ACL) faz o resgate de um importante músico brasileiro, esquecido ou desconhecido da grande maioria da população: Francisco Manoel da Silva, autor da música do Hino Nacional. “Essa música tem uma história muito interessante. É 60 anos mais velha que a letra. Francisco Manoel da Silva, que era um grande musicista, fez o hino em 1831, para a abdicação de D. Pedro I. Enviou a música para o Império com letra de um poeta anônimo”, informa o professor José Alexandre dos Santos Ribeiro, que estuda a vida do músico há vários anos e fará a palestra contando a história do compositor.

O hino foi utilizado novamente em 1841, com outra letra para a coroação de D. Pedro II. “Depois disso era tocado nas cerimônias cívicas, ele tem um compasso binário, próprio para hino”, diz o professor. “Quando o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República, em 1889, faltava um hino. Em 1891, ele soltou um decreto estabelecendo a música de Francisco Manoel como Hino Nacional da República, mas precisava de uma letra adequada. Procurou então Joaquim Osório Duque Estrada, que era um poeta parnasiano medíocre — o bom era Olavo Bilac — e pediu uma letra para o hino. Ele fez, mas com alguns erros de sintaxe e semântica, que apontarei na palestra”, comenta Santos Ribeiro.

Segundo o pesquisador, Francisco Manoel da Silva deixou uma vasta obra musical, de pelo menos 2090 peças, entre música sacra, sinfônica, para orquestra de câmara, de solo vocal com acompanhamento de piano, solo para piano e outras. “Ele era muito versátil e tinha uma grande formação musical. Começou a estudar música aos 8 anos com os melhores mestres, como o padre José Maurício Nunes Garcia, que era um gênio da música. Trabalhou também com Márcio Portugal e com o austríaco Sigmund Neukomm, que foi discípulo de Haydn. Era violinista e compositor.”

Santos Ribeiro cita ainda que a maior parte da obra de Francisco Manoel da Silva está na Biblioteca Nacional, mas tem peças espalhadas por vários locais, inclusive Campinas. “O Museu Carlos Gomes, instalado no Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) guarda 18 obras originais do compositor. Mas elas não são tocadas. O Brasil é um país sem memória, muito por culpa dos órgãos públicos que não investem em preservar essa memória”, coloca o professor. “O objetivo da palestra é divulgar a obra desse grande músico esquecido.”

Folclore

A sessão apresenta ainda, na Galeria de Artes Lélio Coluccini, a exposição Mês Florido do Folclore, do Grupo Flor de Lótus, coordenado pela professora Marli Bonfante, com curadoria de Marli Straccieri. A mostra fica em cartaz durante o mês de agosto, aberta para visitação pública de segunda a sexta, das 8h30 às 16h30. A parte musical fica a cargo do Coral do Clube Campineiro de Regatas, sob a regência do maestro Jairo Perin.