Publicado 09 de Agosto de 2015 - 5h30

Certamente o Brasil não será o mesmo após a Operação Lava Jato. São muitas as lições a serem tiradas deste momento único na história. A principal delas é que ninguém está acima da lei e da Justiça, algo até então difícil de acreditar em um País marcado pela injustiça social e prevalência do mais poderoso.

Altos executivos, donos de empreiteiras, presidentes e diretores de empresas públicas e deputados foram para a cadeia. A todos, a acusação, e várias já comprovadas, de desvio do dinheiro público, subornos, superfaturamento em contratos entre empresas públicas, no caso a Petrobras, e privadas.

O brasileiro tem assistido com certo orgulho a condução desses vilipendiadores do bem público, algemados, para celas frias e sem o requinte e luxo a que, até então, estavam acostumados.

As revelações que surgem de cada depoimento dos envolvidos no escândalo são cada vez mais estarrecedoras e mostram a impressionante capacidade do ser humano em corromper e ser corrompido. Por mais que o brasileiro tenha se acostumado com escândalos envolvendo políticos e empresas, e são muitos no País, nesse caso há muito mais podridão que se supunha.

Infelizmente a corrupção inconstitucionalizada vem da formação histórica da Nação, fundamentada no jeitinho e na malandragem, na até então certeza da impunidade, culminando no patrimonialismo, troca de favores entre as elites políticas e a invasão de interesses privados na esfera pública. E assim, os autores desse crime agem como total naturalidade, como se o bem público fosse uma extensão de sua conta bancária.

Colocam-se como deuses intocáveis no ato do crime e, quando descobertos, no início, agiam com soberba misturada à falsa honestidade. Agiam, pois a rigorosa mão da Justiça, e alguns dias passados na prisão, abalaram a convicção de estar acima da Lei. Na tentativa de reduzir a permanência nas celas, os acusados estão usando do benefício da delação e entregando os companheiros de quadrilha, puxando um fio da meada que parece não ter fim.

A nova prisão do ex-ministro José Dirceu, agora abandonado à própria sorte pelo partido que ajudou a criar, é um marco na ruína de um projeto político escuso para o Brasil. As declarações dos envolvidos no escândalo mostram que a ascensão do PT no poder aparelhou o Estado de forma a usurpá-lo em benefício de interesses próprios e na perpetuação do poder. O Petrolão, aliás, tem sido um escândalo que coloca no chinelo o Mensalão, primeiro motivo da prisão de Dirceu. E a República jamais será a mesma.