Publicado 08 de Agosto de 2015 - 5h30

Entre as principais funções dos nobres edis da Câmara Municipal de Campinas está a de fiscalizar as ações do Poder Executivo e de legislar em favor de seus cidadãos. Não foi bem isso que aconteceu nos últimos dias. O vereador Jota Silva (PSB) se tornou piada nacional e internacional ao propor a criação do dia “É Gol da Alemanha” para lembrar a goleada sofrida pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo do ano passado pelo indigesto placar de 7 a 1.

Além de virar destaque na imprensa de todo o País e nas redes sociais, a notícia repercutiu em sites e jornais nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Segundo o vereador, o objetivo não era debochar do placar elástico e nem “comemorar” o resultado, mas sim servir de reflexão. Como se os milhões de técnicos brasileiros precisassem de um dia para relembrar a vergonhosa derrota. A repercussão negativa foi tamanha que o vereador decidiu arquivar o projeto. Tarde demais, pois o estrago na imagem do vereador, da Câmara Municipal e até do município, já tinha sido feito.

O ridículo do projeto reforça a imagem negativa que a população tem dos políticos, e soma-se a tantos outros casos de cunho parecido. Em episódio recente, o Correio mostrou que 284 títulos honoríficos, a maioria de Cidadão Campineiro e Emérito, concedidos a personalidades políticas e artistas de TV do País, “mofam” no cerimonial do Legislativo há mais de uma década.

Ao que parece, pela longa lista, são títulos distribuídos a esmo, mais para afagar o ego do próprio vereador do que realmente prestar uma homenagem, já que muitas personalidades nunca ficaram sabendo da oferenda.

A notícia também causou forte repercussão na sociedade campineira, que critica o lado fútil da atuação parlamentar, em contraponto com os reais interesses da comunidade. A legítima representação é aquela pautada pela seriedade das ideias e, sobretudo, pela relevância de seus atos. Jota Silva perdeu a chance de oferecer uma proposta condizente com o ideário de uma cidade que espera vanguarda, não piada.

O autor do projeto, apesar do vexame público, vangloriou-se, num primeiro momento, de que a Câmara nunca teve um projeto com tanta visibilidade no mundo. Depois, à coluna Xeque-Mate, do Correio, admitiu que foi um erro de sua parte. Disse também que tem humildade para ouvir críticas. Numa época em que o papel do político está cada vez mais exposto, espera-se que os representantes no Executivo e no Legislativo tenham o discernimento necessário para respeitar o erário, mas também para dignificar seu papel com uma atuação de relevância social.