Publicado 07 de Agosto de 2015 - 5h30

Campinas confirmou ontem a morte de mais quatro pessoas por dengue e o registro de 59.150 casos da doença até o momento, em último balanço da Secretaria da Saúde. No total, a cidade contabiliza 11 mortes este ano, número que ultrapassa o recorde histórico de 2014, quando dez pessoas morreram.

Além da dengue, de abril a junho desse ano foram confirmados também quatro casos e três mortes por febre maculosa — infecção transmitida pelo carrapato-estrela, cujo hospedeiro é a capivara. O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) informou que nenhum dos casos de maculosa houve relato de frequência em parques e jardins públicos (leia texto nesta página).

Em relação à dengue, nos oito meses deste ano Campinas superou em 40% todos os casos registrados no ano passado inteiro — que teve 42.109 —, até então considerada a pior epidemia da história. Ontem, o secretário municipal de Saúde de Campinas, Carmino Antonio de Souza, admitiu a ocorrência de uma “enorme epidemia” neste ano, e que o momento a partir de agora é prevenção para evitar novos casos em 2016.

Os óbitos confirmados ontem ocorreram nos meses de março, abril e um deles em maio. As vítimas foram dois idosos, um de 73 anos (região Leste) e outro de 75 (Norte), uma mulher de 52 anos (Sul) e uma jovem de 38 (Norte). A secretaria informou que uma morte continua em investigação e outras duas foram descartadas. Dos casos, a pasta divulgou que há ainda 219 em investigação e 2.056 foram descartados.

Foram registrados 1.458 casos em janeiro, 6.930 em fevereiro, 24.257 em março, 18.976 em abril, 6.399 em maio, 1.074 em junho, 56 em julho e, até o momento, nenhum em agosto. Dessa maneira, de acordo com Carmino, os números dos últimos meses confirmam que neste ano o pico da epidemia foi antecipado para março. O secretário já havia afirmado que não há garantias que Campinas fique isenta de uma situação semelhante em 2016, após surtos em dois anos consecutivos. “O importante da dengue é não parar de falar da dengue.” Ele destacou que foram feitos todos os trabalhos possíveis para controlar o avanço da doença. “Segundo informações do trabalho de campo realizado pela Secretaria de Saúde, pelo menos 80% dos criadouros do mosquito estão nas casas e quintais das pessoas”, indicou o secretário.

As autoridades sanitárias ressaltaram que a situação climática precisa ser levada em consideração, pois fez mais calor nos últimos meses do que a média histórica registrada no mesmo período nas décadas anteriores. “Também contribuiu a escassez de água, situação que levou as pessoas a estocarem o produto em reservatórios domésticos sem a devida proteção, se constituindo em criadouros para o mosquito Aedes aegypti”, justificou a Secretaria de Saúde, em nota.

No restante do ano, serão mantidas as ações de combate a criadouros do mosquito transmissor da dengue. Entre elas a telagem de caixas d’água, nebulização costal, vistorias de imóveis fechados ou abandonados e campanhas de conscientização da doença. No segundo semestre, a cidade terá também 616 agentes comunitários de saúde a mais, para ajudar no combate à doença. A Câmara aprovou em maio a criação dos cargos, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho. A legislação foi criada justamente para suprir o déficit da Secretaria de Saúde de pessoal para trabalhar no combate à epidemia.

Adaptação

O Aedes aegypti utiliza, principalmente, criadouros artificiais, como recipientes de plástico, pneus, latas (com destaque para as calhas e caixas d’água de difícil acesso) e outros produtos descartados e armazenados incorretamente pelas pessoas.

Historicamente, o período de janeiro a maio é o de maior incidência de dengue, por conta das condições climáticas que favorecem a proliferação do mosquito transmissor. Neste ano, o País registrou mais que o dobro nas notificações de casos de dengue até o final de maio, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Santa Bárbara confirma a primeira morte neste ano

Santa Bárbara d’Oeste confirmou a primeira morte por dengue este ano, e ainda investiga o óbito de um menino de 7 anos. A vítima é uma mulher de 57 anos, moradora da Vila Sartori. A Secretaria Municipal de Saúde informou que, desde o começo deste ano, foram registrados 1.932 casos positivos da doença.

O menino de 7 anos morreu no dia 2 de julho no Hospital Estadual de Sumaré. O resultado deu negativo para dengue.

O laudo com a causa do óbito deste paciente, no entanto, será informado após fechamento do caso pela Vigilância Epidemiológica Estadual. Sobre as ações de combate à dengue, a secretaria garantiu que segue com as ações preconizadas pelo Ministério da Saúde. Entre elas: visitas casa

a casa com orientações aos munícipes, bloqueio/nebulização nos casos confirmados e suspeitos, visitas a borracharias, ferros-velhos, cemitérios, entre outros. Amanhã a será realizado no município o evento 2 Pedalando Contra a Dengue. A saída será às 8h30 em frente à Prefeitura, na Avenida Monte Castelo. A ação é voltada aos alunos da rede municipal de ensino, ciclistas e população em geral, “incentivando a prevenção ao mosquito transmissor da dengue”. (GA/AAN)

Febre maculosa faz três vítimas fatais na cidade

Campinas registrou entre abril e junho três mortes por

febre maculosa — infecção grave transmitida pelo carrapato-estrela.

O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), ligado à Secretaria Municipal de Saúde, confirmou na tarde de ontem que as mortes foram de uma mulher de 44 anos e de dois homens, um de 46 e outro de 36 anos. Um senhor de 61 anos, residente da região Sul da cidade, contraiu a doença em maio, mas foi curado. Segundo o departamento, em nenhum dos casos houve relato de frequência em parques e jardins públicos, e os óbitos não têm relação entre si. Três dos casos foram na região Sul, mas em locais diferentes. “Imediatamente após ser notificado sobre cada caso, o Devisa desencadeou as ações de saúde preconizadas, que incluem intervenções de vigilância epidemiológica e ambiental e ações de educação e mobilização social nos locais prováveis de infecção”, informou a Saúde, em nota. Em 2014 foram sete casos de febre maculosa e cinco mortes, e em 2013 três óbitos diante de seis casos registrados. Não existe vacina contra a febre maculosa e não é possível eliminar totalmente o carrapato. A população deve evitar frequentar as áreas de vegetação e de mato, onde há infestação de carrapatos-estrela. Caso a pessoa passe por essas áreas, ou tenha de frequentá-las, deve ficar atenta aos sintomas da doença, que são febre, dor de cabeça, dor intensa no corpo, mal-estar generalizado, náuseas e vômitos. Ao apresentar um desses sinais, a pessoa deve procurar o serviço de saúde e informar que foi parasitada por carrapato. Para todas as notificações, são desencadeadas medidas de controle que incluem busca ativa de pessoas com sintomas da doença e assistência aos pacientes, além de atividades de educação

em saúde. (GA/AAN)