Publicado 06 de Agosto de 2015 - 5h30

Depois do colorido dos ipês-roxos tomarem as ruas e avenidas de Campinas, agora chegou a vez da florada branca, mais rara, de curta duração e que na opinião de muita gente é também a mais atraente do gênero tabebuia. Os amarelos ainda estão tímidos, pois já tiveram florada antecipada no início de fevereiro por causa do forte calor, que obrigou a espécie a “soltar” suas flores. Ontem, motoristas e pedestres foram flagrados através das lentes do Correio contemplando a primeira semana de florada branca. Cambuí, Castelo, Guanabara, Vila Itapura, bairros que concentram grande quantidade de ipês, amanheceram na segunda-feira com calçadas forradas de branco. Da sua janela no 8 andar, a aposentada Helga Person Romano, de 59 anos, observa todos os anos a deslumbrante florada de um ipê-branco no Largo Santa Cruz, na Rua Major Sólon, no Cambuí. “Na segunda-feira abri a janela e a surpresa: lá estava a árvore toda branquinha”, lembra. Há aproximadamente 30 anos, Helga tem o privilégio, todos os meses de agosto, de observar a espécie da sua janela. “Como a florada é rápida, temos que contemplar bastante”, brincou. Mesma situação do porteiro Antônio Souza, de 52 anos, que desde segunda-feira está privilegiado com a “sombra clarinha” proporcionada por um ipê-branco de quase 10 anos, na Rua Sacramento, na Vila Itapura. “Começou a florir na segunda-feira. Ontem foi o dia mais bonito, e hoje (quarta) já começou a cair flores por causa do vento. Quem plantou foi o Seo Onofre (porteiro que trabalhou muitos anos na Vila Itapura) faz uns 10 anos”, disse. Por uma enquete no Facebook do Correio, dezenas de leitores postaram fotos de ipês, em sua maioria brancos, que estão embelezando a paisagem de bairros como Vila Teixeira e Jardim Miranda. Na Rua Coelho Neto, próximo à Sacramento — ainda na Vila Itapura —, quem caminha próximo à Igreja São Paulo Apóstolo pode observar um ipê amarelo, cuja florada já dura quatro dias, disseram moradores. Os amarelos, de acordo com a pesquisadora do Núcleo de Estudos em Pesquisas Ambientais da Unicamp, Dionete Santin, já tiveram uma florada em fevereiro, atribuída, segundo ela, ao forte calor e à estiagem atípica. “Com a falta de chuva, a planta se sente ameaçada e força uma florada antes da hora para que dê frutos e de suas sementes brote outra espécie. Essa é uma estratégia de sobrevivência”, explicou. Com relação aos ipês-brancos, Dionete relata que a florada acontece geralmente agosto, mas que nos meses de junho e julho também é possível observar. “Não há ainda na literatura por que seu período de florada é mas curto do que as demais do gênero.” Já os amarelos poderão ser apreciados até a semana do feriado de 7 de setembro, e na sequência e entram os ipês-rosas. Os ipês são uma espécie nativa de El Salvador, na América Central. Ainda não há um levantamento específico sobre o número dessa espécie no município. (Gustavo Abdel/AAN)