Publicado 06 de Agosto de 2015 - 5h30

Três escolas particulares da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão entre as cem instituições de ensino com as melhores médias nas provas objetivas do Exame Nacional do Ensino (Enem) de 2014. O levantamento do Enem por Escola, com quase 1,296 milhão de estudantes de 10.615 unidades de ensino que fizeram o exame no ano passado, foi disponibilizado ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação responsável pela aplicação da prova.

O Colégio Etapa de Valinhos foi a unidade de ensino mais bem colocada da região, na 52 posição, com 681,57 pontos, seguido pelo Colégio Visconde de Porto Seguro, da mesma cidade, na 67 colocação, com 672,69 pontos. No terceiro lugar entre os destaques da região está o Colégio Progresso, de Campinas, que ficou na 98 posição, com 661,37 pontos. Já a primeira escola no ranking nacional é o Objetivo Colégio Integrado, de São Paulo, com 742,96 pontos, pelo quarto ano consecutivo.

O levantamento inclui as médias de desempenho dos alunos participantes em cada unidade escolar para cada área do conhecimento e redação, além de indicadores contextuais, como nível socioeconômico, dependência administrativa, localização, porte, número de participantes, taxa de participação no Enem e taxas de aprovação e abandono do Ensino Médio. A novidade do Enem por Escola 2014 foi o Indicador de Permanência na Escola, que demonstra quanto do Ensino Médio foi cursado pelo aluno na unidade que estava cursando quando fez o exame.

O professor Carlos Eduardo Bindi, diretor do Etapa, acredita que o destaque do colégio de Valinhos na RMC nos últimos anos se deve ao ensino pedagógico e à metodologia similares à unidade de São Paulo, levando em consideração as peculiaridades locais. “Está havendo uma convergência do sistema do Enem e de grandes vestibulares, então não existe um conteúdo só para o Enem. Cobrindo bem o Ensino Médio é o suficiente.”

Para o diretor institucional do Ensino Médio da unidade de Valinhos do Colégio Visconde de Porto Seguro, Carlson Toledo, o sucesso está no foco. “As habilidades que o Enem cobra são muito consistentes com nosso projeto pedagógico”, disse.

A diretora do Colégio Progresso, único colégio de Campinas no top 100 das provas objetivas, Cristina Tempesta, acredita que a longevidade do aluno na escola, que cursam desde o Ensino Infantil, faz a diferença. “Nós temos um projeto literário muito intenso, desde quando são alfabetizados. E antes disso ouvem muitas histórias literárias”, exemplificou. “O que a gente faz é uma construção de longo prazo”, completou.

Destaque paulista

Assim como tem ocorrido nos anos anteriores, as escolas paulistas se destacaram no ranking das melhores médias nas provas objetivas, de acordo com o Ministério da Educação. Das 100 primeiras colocadas, 29 são paulistas, com nível socioeconômico alto ou muito alto dentre as unidades que declararam a informação, sendo que 14 são colégios pequenos, com menos de 90 alunos no fim do Ensino Médio, e sete são públicos — todos ligados ao Exército ou a universidades federais. O desempenho paulista é próximo ao registrado na edição anterior do exame, quando 28 escolas do Estado ficaram no top 100.

O objetivo do Inep com a divulgação do Enem por Escola é auxiliar estudantes, pais, professores, diretores e gestores educacionais nas reflexões sobre o aprendizado dos estudantes no Ensino Médio e no estabelecimento de estratégias em favor da melhoria da qualidade da educação.

O instituto, no entanto, alerta que o uso dos resultados deve ser feito com cautela, uma vez que a participação no exame é de caráter voluntário, com representatividade dependente do percentual de participação de estudantes em cada escola.

Desempenho médio em matemática registra queda

O desempenho médio das escolas no Enem 2014 piorou em matemática em relação a 2013. A média obtida no ano passado foi 511,33 pontos inferior a que havia sido alcançada no exame anterior. A queda foi registrada apenas nesta área. Ano passado, a pontuação em linguagem e seus códigos subiu 20 pontos, passando de 508 para 528. Em ciências da natureza, o salto foi de 15 pontos, passando para 507. Na área de ciências humanas, a elevação foi de 28 pontos. “Os resultados mostram que há o que se comemorar”, afirmou o presidente do Inep, Francisco Soares. Segundo ele, será necessária a realização de mais estudos para identificar as razões da queda de desempenho em matemática. (Agência Estado)

Familiares agrícolas dão exemplo

No Enem de 2014, as escolas familiares agrícolas estão entre as melhores instituições privadas do País que atendem alunos de nível socioeconômico baixo ou muito baixo. O ministro da Educação, Renato Janine, disse que foi uma surpresa para o Ministério da Educação (MEC) e o Inep o destaque dessas escolas no Enem. “Não sabíamos da grandeza do trabalho delas e é interessante quando uma pesquisa mostra algo inesperado.” Segundo Janine, o MEC vai agora dar mais visibilidade e ir atrás da experiência dessas escolas para “aprender com elas”. São instituições comunitárias geridas por associações de moradores e sindicatos rurais vinculados à comunidade. “Nesse sentido é a melhor escola privada do Brasil e merece nosso destaque”, ressaltou. O presidente do Inep, Chico Soares, destaca que as escolas avaliadas são muito heterogêneas entre si e que é possível a construção de muitos rankings. “Um único ranking produz um quadro distorcido da realidade”, disse ele, explicando que é preciso considerar o porte e estratégia da escola de seleção de alunos e as características socioeconômicas dos estudantes. (Agência Brasil)