Publicado 06 de Agosto de 2015 - 5h30

É dever constitucional do Estado garantir a segurança de seus cidadãos. É direito do cidadão andar livremente pelas ruas de sua cidade, ou ficar no aconchego do seu lar, sem se sentir ameaçado por atos ou ações que permeiem sua liberdade.

No entanto, não é isso que ocorre em Campinas. A onda de violência, que antes assolava as ruas da cidade, também invade o refúgio mais sagrado de um cidadão, o seu lar. Considerado um ambiente inviolável e seguro, se tornou uma espécie de prisão para seus ocupantes e um campo livre para atrocidades cometidas por criminosos.

A crescente onda de violência em Campinas, com requintes de crueldade que não poupam idosos indefesos, tem abalado o emocional da população. Não há cerca, grade, muro ou sistema de vigilância que contenha a ação dos criminosos.

Os ataques violentos deixaram de ocorrer na periferia e agora assustam quem vive em bairros como Cambuí, Jardim Proença, Guanabara e Taquaral. Seja à plena luz do dia ou à noite, os criminosos agem sem piedade, amarrando, espancando e matando suas vítimas. São momentos de terror que geram traumas profundos. Em busca de segurança, moradores adotam um toque de recolher “voluntário”, e se trancam em suas casas após as 20h.

O auge da violenta insanidade ocorreu no último domingo, quando uma aposentada de 79 anos morreu asfixiada por um pano de prato enfiado na garganta pelo ladrão. Essa vida custou R$ 100,00, que é a quantia que o assassino levou da vítima.

A ineficiência da polícia em conter as barbáries leva os moradores ao desespero e a desistirem de registrar boletins de ocorrência. Apavorados, se unem e buscam alternativas que garantam a segurança. Uma das vítimas diz, com toda razão, que Campinas virou a terra de oportunidades para os ladrões. Não deveria ser assim.

Como sempre, a polícia alega que intensifica o patrulhamento e apresenta estatísticas para mostrar que vem trabalhando e reduzindo a violência na cidade, mas é notório que não é o bastante para contê-la e tranquilizar os campineiros. É momento, já passado, de as forças da Segurança Pública se organizarem eficientemente para garantir ao cidadão a tranquilidade que ele merece.

Campinas não pode ser vista como a cidade que abandonou seus habitantes à mercê da ação de criminosos. Infelizmente, é isso que está ocorrendo, e precisa ser revertido imediatamente.