Publicado 06 de Agosto de 2015 - 5h30

Toda e qualquer corrupção é a porta do Inferno. Há quem se ache estar imune a isso. Ledo engano. Será cobrado, cedo ou mais tarde pelos seus atos, como bem sabe José Dirceu e seus asseclas. E eis que ele está preso novamente. Meus dedos, no teclado do computador, estão indignados na digitação, nunca errei tanto, batendo teclas erradas, indignadas.

Triste figura é José Dirceu, um jovem estudante que conheci nos idos de 68, século passado, então presidente da UEE. Queríamos o Congresso da UNE na Praça da Sé (outros no Crusp) e ele, pelos desvãos da baixa política, em conversas de baixa politicalha, negociou o congresso com o governador Sodré em Ibiúna; queria esvaziar o congresso de milhares de estudantes brasileiros a fim de emplacar o nome de seu candidato à presidência da União Nacional dos Estudantes. Deu no que deu: ao invés da visibilidade de se fazer o congresso no centro de São Paulo, deu-se o anonimato em Ibiúna, onde cerca de setecentos estudantes foram presos – dentre eles o ex-deputado Fernando Gabeira, ferido com um tiro na barriga quando tentava salvar um companheiro. Eu estava lá. E, na ocasião, quem me salvou (e a tantos) foi a Mata Atlântica, fechada, senhora que era dos esconderijos da vida. José Dirceu bateu de frente na nossa pequena assembleia e deu no que deu. Mais de setecentos estudantes-delegados foram presos. Dirceu, entre eles – posteriormente trocado por conta do sequestro de um embaixador norte-americano, um ato terrorista.

Dirceu, após um breve exílio em Cuba, voltou ao Brasil por volta de 73 e, face plastificada, casou-se e teve filhos em Cruzeiro do Sul, Paraná. Em 79, após a promulgação da Lei de Anistia, se revelou, largou da mulher (que até então de nada sabia), dos filhos, e se esgueirou para construir o Partido dos Trabalhadores (aliás, uma ideia do general Golbery do Couto e Silva). Dirceu se revelou e desde então o combati, serena e democraticamente, dentro do partido. Nada de efetivo; até que desisti, em 88, de fazer parte daquela bronca camarilha petista. Jacó Bittar, se bem se lembram os indignados campineiros, fora eleito prefeito de Campinas – e que rompeu com o seu vice Toninho da Costa Santos, assassinado em 2011. Eis a história. Hoje os filhos de Jacó são sócios do filhos de Lulla.

Dirceu foi preso novamente. É um ladrão dos sonhos brasileiros. Nem tanto pelos quase seis bilhões de reais que ele ajudou a desviar da Petrobras, mas, pela sua obsessão em roubar o que não lhe pertence. É um compulsivo. Ele já tinha roubado sonhos antes da UNE e se aprimorou em se enriquecer com o dinheiro dos brasileiros honestos.

Eis aí o canalha, José Dirceu, novamente preso. Lula sempre soube da sua canalhice e, durante anos, barrou a ascensão de Dirceu dentro do partido, cedendo, depois, agora como conivente político, por forças polítíco-sindicais e após derrotas presidenciais. Tanto que José Dirceu se tornou seu ministro da Casa Civil e, com tal poder, armou uma quadrilha para roubar a Petrobras. Mas isso só poderia ser possível com a anuência, conveniência, conivência ou ignorância do seu chefe Lulla da Sillva. Escolham aí.

Dirceu é um bandido da pátria, é um cara que não respeitou a sua companheira e muito menos seus filhos, se camuflando em falso registro de identidade e plástica facial perante sua família. Acho que ele deveria ser solto e deixado ao léu, a andar pelas ruas brasileiras sem poder sequer tomar um copo de água num botequim de esquina, sem poder contar histórias de sua vida, um mamulengo sem eira nem beira de sua própria vida. Prisão, sempre achei, é para bandidos que assim se provaram; covardes, acho eu, deveriam ser trancafiados nas grades do anonimato - e aqui espero que a dita imprensa não nos traga mais notícias de tão execrável figura. Petistas chamaram Dirceu de herói do povo. E eis que ele entrou em cana novamente. Agora vão cantar o quê? Não faço a mínima ideia.

PS. 16 de agosto é dia de panelaço. Escolha, pois, a sua melhor panela. Eu vou de frigideira.

Bom dia.