Publicado 05 de Agosto de 2015 - 5h30

Uma tentativa de assalto feita por uma quadrilha de Campinas ao banco Bradesco na Vila Rezende, em Piracicaba, terminou com cinco mortos — entre eles um policial militar — três pessoas feridas e outros três suspeitos detidos. O caso ocorreu por volta das 10h de ontem. Em entrevista coletiva, o tenente-coronel Marcos Antonio Félix, comandante do 10 Batalhão da Polícia Militar, diz que a entrada dos bandidos na agência pode ter sido facilitada pelos vigilantes que prestam serviço terceirizado no local.

A quadrilha foi surpreendida quando saía do banco, por volta das 10h15. “Ela já era investigada pelo serviço de inteligência das polícias Militar e Federal, suspeita de ações criminosas na região. Sabíamos que eles fariam uma ação hoje (ontem), em alguma agência bancária na Avenida Rui Barbosa. Mas a informação era de que o delito seria cometido no período da noite”, conta Félix. “Na ocasião, policiais federais e militares iam até o local para averiguar a situação e estudar o espaço. Mas houve uma intercepção telefônica de agentes federais. Estes informaram que a ação seria pela manhã. Quando os PMs chegaram na avenida, a ação já estava ocorrendo”, acrescenta.

Sem serem impedidos pela porta giratória do banco, nem mesmo pelos vigilantes, os bandidos entraram na agência armados, renderam o gerente e anunciaram o assalto. “Eles vestiam uniforme azul, foram até o piso superior, onde estava o malote de dinheiro, recolheram dinheiro dos caixas e foram surpreendidos pelo cabo da PM João Guilherme Christofoletti Estevam, que estava à paisana, quando tentavam deixar o local. O agente atirou.”

Na troca de tiros, três criminosos foram mortos no local — dois na calçada e um dentro da agência. Outros dois foram baleados e levados para hospitais da cidade. Um deles morreu, após dar entrada no Hospital dos Fornecedores de Cana. O segundo continua em observação na Santa Casa de Piracicaba. De acordo com informações da assessoria de imprensa do hospital, seu estado de saúde é estável.

Um terceiro ferido, um comerciante atingido na perna, também não corre risco de morte. O PM levou dois tiros, foi socorrido por um dos agentes que participavam das investigações, em seu próprio carro, mas morreu ainda no local.

O caso

De acordo com o tenente-coronel Marcos Antonio Félix, a quadrilha é formada por moradores de Campinas. “Eles tinham informações privilegiadas do andamento da agência. Sabiam o horário que o carro forte estaria no local. Tanto é que ingressaram no banco logo após a saída do veículo. Além disso, não foram impedidos de entrar na agência, mesmo estando fortemente armados. Quando perceberam a movimentação, os agentes da PM ligaram para o 190 e a força tática foi a primeira a chegar.”

Ainda segundo Félix, quatro veículos foram usados na operação — um Fiat Doblô, com placa de Piracicaba, um Toyota Corolla, com placa de Jundiaí, um Volkswagen Gol, de Piracicaba, e um Ford Ecosport, também com placa de Piracicaba. “A Ecosport foi roubada na Rua Juscelino Kubitschek, próximo ao local do crime. O veículo pertence a uma mulher. Ela disse que foi abordada por quatro homens com armamento pesado e coletes à prova de balas. O veículo foi encontrado abandonado no acostamento da SP-147, que liga Piracicaba a Limeira.” O Doblo e o Corolla foram interceptados em frente à agência bancária. Já o Gol, até o fechamento desta edição, não havia sido encontrado. Outros dois automóveis de frequentadores da região que estavam estacionados na Rua Rui Barbosa foram atingidos pelas balas.

O delegado do 4 Distrito Policial, João Batista Vieira de Camargo, foi quem acompanhou a perícia e o desfecho do caso. Até o início da tarde de ontem, o quarteirão ficou interditado e os corpos estendidos na calçada. O trânsito foi orientado e organizado por funcionários da Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte).

A assessoria de imprensa do Bradesco informou que o banco não vai se pronunciar sobre o assunto. Também revelou que, hoje a agência da Vila Rezende, fechada durante todo o dia de ontem, volta a funcionar normalmente.

Velório

O corpo do PM João Guilherme Christofoletti Estevam, de 34 anos, está sendo velado na Câmara de Vereadores de Piracicaba. O sepultamento será hoje, às 16h no Cemitério Parque da Ressurreição.