Publicado 05 de Agosto de 2015 - 5h30

Assombrado pela severa situação política e econômica do País, que afeta todas as estruturas básicas de serviço, especialmente as unidades de saúde, o cidadão recebeu na semana passada a triste notícia de que o Centro Corsini, referência nacional e internacional no atendimento a portadores do vírus HIV, vai encerrar o atendimento do ambulatório adulto e manterá somente a Unidade de Apoio Infantil (UAI), que acolhe crianças e adolescentes afetados pela Aids.

O motivo é a queda das doações causada pela crise econômica. O Corsini não recebe recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) e depende exclusivamente da boa vontade de seus colaboradores para se manter. O encerramento vai demorar cerca de dois meses e os pacientes serão atendidos pela rede pública de saúde. O ambulatório adulto do Centro Corsini tem cerca de 5 mil pacientes cadastrados e realiza aproximadamente mil atendimentos mensais.

É uma lastimável notícia para Campinas e para o País. Na verdade, é uma vergonha que isso esteja acontecendo. Muito mais que um centro científico, o Corsini é uma referência humanitária no tratamento aos vitimados pelo HIV, fazendo com que seus pacientes se tornassem uma família na luta contra a doença.

É importante lembrar que o Centro surgiu da perseverança dos doutores Silvia Bellucci e Antonio Carlos Corsini, que dedicaram suas vidas ao estudo da Aids. Criado oficialmente em 1986, já nos primeiros anos se tornou referência nacional em políticas públicas de prevenção e combate à doença.

No entanto, desde a morte de Silvia Bellucci, em dezembro de 2012, as doações começaram a cair e se agravaram com a crise financeira do País. O impacto do fechamento já se traduz em desamparo a pessoas que há 30 anos são atendidas pelo Centro.

Diante do seu histórico em prol do combate à Aids, é imprescindível que todas as esferas públicas e privadas se mobilizem para evitar que o processo de fechamento se concretize. Pacientes atendidos pela unidade já se organizam para angariar recursos e tentar colocar o caixa do Corsini em dia, no entanto, o esforço necessário é gigantesco e precisa de todo amparo da sociedade e instituições, não só de Campinas.

O legado deixado por esses doutores para o País e para o mundo, mas principalmente para os portadores do vírus HIV, não pode ser ignorado e muito menos perdido. Será uma profunda marca negativa na rica história científica e humanitária de Campinas.