Publicado 04 de Agosto de 2015 - 5h30

Após recesso em julho, a Câmara de Campinas retomou as sessões ordinárias ontem com mais um protesto envolvendo a discussão de gênero nas escolas. O “Ato Público por uma Educação Libertadora” foi organizado por um conjunto de coletivos de Campinas, que é contra o veto ao debate de gênero nas escolas proposto pelo vereador Campos Filho (DEM). O projeto entrará em segunda discussão, mas ainda não há uma data definida.

“Estamos lutando por uma educação libertadora. O Estado é laico. Para nós, discutir gênero é combater a violência. Vivemos em uma sociedade onde tudo o que é diferente é excluído. E não é essa a educação que nos queremos”, afirma a socióloga Pilar Guimarães, integrante do Coletivo das Vadias. Segundo ela, a ideia do ato é marcar o repúdio à Emenda e pressionar os parlamentares para que o assunto seja retirado de pauta. A concentração em frente ao plenário foi às 17h, mas o grupo só foi autorizado a entrar depois das 18h, mais de 15 minutos após o início da sessão porque a Câmara aguardava reforço no efetivo da Guarda Municipal.

A sessão também foi marcada pela retratação do vereador Cid Ferreira. Após discutir com um jovem negro, Ferreira teria afirmado que o rapaz era feio e ele era bonito, e que ele tinha olhos azuis, e o rapaz não. “Sou vereador pelo 5 mandato e nunca diferenciei ninguém pelo dinheiro ou pela cor. Se ofendi alguém, me perdoe”, afirmou. A retratação do parlamentar foi seguida da fala do presidente da Casa de que “não será tolerado qualquer ato racista na Câmara”.

O pedido de retratação foi feito por entidades e coletivos ligados ao Movimento Negro de Campinas. “Não apaga a fala racista, mas é um passo importante dentro do processo de luta diária contra o racismo o fato dele ter reconhecido o erro”, afirmou Alessandra Ribeiro, coordenadora da Casa de Cultura Fazenda Roseira.

Entre os oito itens votados ontem na sessão, seis concediam honrarias. O legislativo volta do recesso com projetos importantes para serem votados. Um deles é a segunda votação do projeto de lei que cria oficialmente os distritos do Ouro Verde e Campo Grande, que entra na pauta de amanhã. (Inaê Miranda/Da Agência Anhanguera)