Publicado 04 de Agosto de 2015 - 5h30

Os passageiros que utilizam a Rodoviária de Campinas, o Terminal Ramos de Azevedo, para viagens interestaduais começaram a pagar mais caro pela taxa de embarque no dia 1 de julho. O valor da tarifa passou de R$ 4,43 para R$ 4,77, aumento de 7,6%. Apesar de estar valendo desde o começo do mês, o reajuste só foi publicado no Diário Oficial do Município na sexta-feira, último dia do mês. O aumento desagradou os passageiros. Para eles, o serviço oferecido no local não justifica o valor da tarifa. A Socicam, que administra o terminal através da Concessionária do Terminal Rodoviário de Campinas (CTRC), informou que o reajuste é definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A aposentada Dael Dezoti Borogliato, de 69 anos, afirmou que aumentar a tarifa, com a situação econômica atual, é abusivo. “A rodoviária de Campinas tem vários problemas que não justificam este aumento”, disse. A diarista Eliane Cássia Alcântara, de 31 anos, sentiu o aumento da taxa de embarque e também das passagens quando foi comprar sua viagem a Minas Gerais. “Vai ficar mais difícil viajar agora.” O músico Isaías Cruz, de 50 anos, disse que a rodoviária poderia melhorar os caixas eletrônicos e aumentar a disponibilidade de táxis que aceitem cartão de débito e crédito. “Quando chego à noite, muitas vezes não consigo tirar dinheiro porque os caixas estão quebrados. E a maioria dos táxis não aceita cartão.”

Desde setembro do ano passado, o Correio publica matérias relatando os problemas recorrentes na rodoviária. Apenas as escadas rolantes quebraram três vezes neste ano. Em abril, uma deles ficou uma semana sem funcionar. As falhas levaram a Prefeitura a abrir um processo administrativo para penalizar a administração da rodoviária por descaso na administração, no dia 18 de maio. A Socicam entregou a defesa e a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) já analisou o documento. A Emdec deu parecer à Secretaria de Assuntos Jurídicos sobre os argumentos apresentados no último dia 20, e a Pasta decidirá se irá aplicar ou não a penalidade. O conteúdo da defesa não foi divulgado e a Emdec não informou qual foi seu parecer.

A rodoviária de Campinas recebe cerca de 10 mil passageiros por dia e foi terceirizada. A obra foi bancada pela CTRC que, como contrapartida, ficou encarregada de administrar o local por 30 anos. A principal fonte de receita da concessionária é a taxa de embarque, que custa hoje R$ 4,77. Em um cálculo simples, a empresa receberia R$ 47,7 mil por dia só com as taxas pagas pelos passageiros, o que daria cerca de R$ 1,4 milhão por mês. Além disso, a concessionária recebe pelos aluguéis das lojas e pela cobrança do estacionamento.