Publicado 06 de Agosto de 2015 - 5h30

A um ano para o início dos Jogos Olímpicos no Rio, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) garantiu ontem que todas as obras de equipamentos esportivos e projetos de legado serão concluídas dentro do cronograma previsto. Em entrevista coletiva no Parque Olímpico, Paes elogiou o legado que o evento deixará para a cidade e criticou as cobranças da Fifa antes da Copa do Mundo de 2014.

"A Fifa queria saber de estádio, aeroporto e hotel, só. Inaugurei a Transcarioca (BRT) para a Copa do Mundo e eles nem foram ver, nem sabem onde fica. O COI, muito pelo contrário, está acompanhando tudo. Há uma preocupação permanente com o legado", disse o prefeito, que acrescentou: “Vamos terminar as obras dentro dos custos, aliás, fazendo muito mais do que nós nos comprometemos na campanha da Olimpíada.”

Paes e o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Rio-2016, Carlos Nuzman, voltaram a falar sobre a manutenção das competições na Baía de Guanabara. A decisão foi sustentada mesmo após uma pesquisa encomendada pela agência de notícias Associated Press (AP) ter detectado nas águas altos níveis de vírus que causam doenças. "A Baía de Guanabara já foi sede dos campeonatos mundiais de vela", rebateu Nuzman. Embora tenha reconhecido a competência do governo do Estado no assunto, Paes afirmou acreditar que a Baía de Guanabara chegará aos Jogos com 60% da despoluição realizada.

Para Nuzman, o Rio não deve nada em comparação com outras cidades que já receberam os Jogos. "Com as comparações que já foram feitas, nós estamos iguais às demais outras cidades que organizaram os Jogos. Com um diferença: nenhuma cidade teve transformação na sua estrutura como o Rio. O legado é uma coisa real", disse. Após a entrevista, Paes trocou passes de handebol na Arena do Futuro com operários da obra e com o secretário executivo de Governo, Pedro Paulo. A visita ao ginásio com capacidade de 12 mil lugares e com 74% das obras executadas teve direito ainda a uma "selfie" do prefeito com os trabalhadores.

Também ontem houve uma cerimônia oficial dos 100 dias na Cidade das Artes, que contou a presença da presidente Dilma Rousseff e de Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), que elogiou: "O Rio deixará um legado importante." (Da Agência Estado)

Governo reduz benefícios do Bolsa Pódio

No mesmo dia em que se celebra a contagem regressiva de um ano para os Jogos Olímpicos do Rio, o governo federal publicou — com atraso — a lista de beneficiados pelo Bolsa Pódio e, pela primeira vez desde que foi instituído, o programa sofreu cortes. Se em 2014 foram 6.667 atletas contemplados nas modalidades olímpicas e paralímpicas, agora são apenas 6.093. Uma redução de 8,7% no total de benefícios. O corte está diretamente relacionado a uma maior rigidez do Ministério do Esporte com relação ao que é uma "modalidade olímpica". Até o ano passado, a pasta aceitou a indicação de atletas de modalidades como rafting e canoagem polo como sendo "olímpicas" — por estarem sob a tutela da Confederação Brasileira de Canoagem. Da mesma forma, premiou atletas de mais de 60 classes da vela, chegando a contemplar um senhor de 85 anos proprietário de um barco para prática de vela oceânica. Neste ano, a Confederação de Vela passou a indicar apenas campeonatos das classes que constam no programa dos Jogos Olímpicos. (AE)