Publicado 05 de Agosto de 2015 - 5h30

O Sport é um bom exemplo de como é importante confiar no próprio planejamento. Eduardo Baptista está no clube desde janeiro do ano passado, quando teve a chance de assumir o time como técnico interino. Conseguiu bons resultados logo de cara e foi efetivado no cargo.

Eduardo deu sequência ao bom trabalho, conquistando os títulos do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste. No Brasileirão, ficou em 11 lugar, campanha aceitável no Brasileirão para qualquer clube que não tenha o mesmo orçamento de um dos 12 grandes.

Com a boa performance, Eduardo Baptista teve o contrato renovado para a temporada de 2015, na qual enfrentou as maiores adversidades de sua curta carreira. Como o Sport não conseguiu chegar às finais do Pernambucano e da Copa do Nordeste, ele foi muito criticado e cobrado por isso.

A diretoria do clube pernambucano, porém, apostou na capacidade de Eduardo Baptista, que mostrou durante todo o ano passado o que é capaz de fazer.

Acreditar no que já sabia — Eduardo Baptista é um bom treinador — foi uma atitude inteligente da diretoria do Sport. Mantido no cargo, o filho de Nelsinho faz uma ótima campanha, bem acima da expectativa para um clube como o Sport. Em 4 lugar com 29 pontos, o Leão da Ilha tem o segundo melhor ataque da competição.

Notem que o Sport não tem uma geração espetacular de garotos e nem foi ao mercado para contratar jogadores caríssimos. Na verdade, o elenco tem vários atletas para os quais quase todos os clubes da Série A virariam o nariz. É um detalhe que valoriza ainda mais o trabalho do treinador.

Esse é um caso de um clube que apostou na capacidade de seu técnico mesmo em um momento difícil, de insatisfação com os resultados. É um caso raro, porque normalmente os times trocam de técnico mesmo quando ele já mostrou capacidade. O São Paulo, tricampeão brasileiro de 2006, 2007 e 2008, demitiu Muricy Ramalho em 2009. O Cruzeiro, bicampeão brasileiro de 2013 e 2014, demitiu Marcelo Oliveira em 2015.

Não há o menor sentido em fazer isso, mas faz parte da cultura do futebol brasileiro demitir o treinador na primeira adversidade.

As trocas deveriam ocorrer sempre entre uma temporada e outra, para que o sucessor tenha tempo para implantar sua linha de trabalho. Trocar no meio de uma competição às vezes até é necessário, mas de um modo geral é arriscado.

Não há muito sentido em trocar um técnico bom que está em um momento ruim por outro (que nem sempre se sabe se é bom) que também não estava bem em outro clube. Mesmo assim, é uma prática muito comum no futebol brasileiro.