Publicado 04 de Agosto de 2015 - 5h30

Com apenas uma vitória nas últimas 11 rodadas, a Ponte Preta vive um momento difícil no Brasileirão. Muitos atribuem a queda de produção à saída de Renato Cajá, artilheiro do time com cinco gols.

É evidente que um meia capaz de fazer tudo o que ele fez no início da competição faz falta a qualquer time do Brasil. Mas é preciso destacar que a Ponte não parou de render bem após a despedida de Cajá, na 13 rodada. O time caiu de produção bem antes.

Nas últimas quatro rodadas com Cajá (ele esteve em campo em três delas), a equipe somou apenas um ponto e não marcou nenhum gol. O problema, portanto, não foi só a transferência do camisa 10. O problema é a vertiginosa queda de rendimento depois da 7 rodada.

Nos sete primeiros jogos, o aproveitamento da Ponte foi de 61,9%. É número suficiente para frequentar o G4, já que o Sport, por exemplo, está em quarto lugar, com aproveitamento de 60,4%.

Nos nove jogos seguintes, a Ponte conquistou apenas 22,2% dos pontos disputados e é aqui que mora o problema. É um número inferior ao aproveitamento do lanterna Coritiba (25%). Não fosse a largada excepcional e hoje o clube estaria dentro ou muito próximo da zona de rebaixamento.

A diretoria do clube se reuniu ontem, ainda digerindo a derrota por 3 a 1 para o Figueirense, adversário que já frequentou o Z4 e agora aparece à frente da Macaca na classificação. O temor de que isso possa acontecer com outros clubes deve ter sido decisivo para a demissão de Guto Ferreira.

Reconheço que para um time que não vence há sete rodadas a solução quase que óbvia é trocar o treinador. É o que todo mundo faz, embora nem sempre isso traga resultados.

É evidente que Guto Ferreira tem sua parcela de responsabilidade pelo momento do time, mas, ainda assim, acho que a Ponte Preta deveria ter levado outros fatores em consideração. Qualquer time está sujeito a momentos ruins em um campeonato tão equilibrado como o Brasileiro. Dentro do orçamento da Ponte, qual outro técnico — igual ou melhor do que Guto — pode ser contratado? Gilson Kleina é uma boa opção, mas o time dele está em 16 lugar e ganhou uma vez nas últimas cinco rodadas. Guto está em 13.

Doriva, demitido pelo Vasco, tem capacidade de devolver a competitividade perdida pela Macaca? Pode ser que sim, pode ser que não.

Guto Ferreira já fez ótimos trabalhos no Majestoso e a diretoria sabe do que ele é capaz. Muitas vezes, a “solução óbvia” não resolve coisa alguma.