Publicado 03 de Agosto de 2015 - 5h30

A torcida do Palmeiras fez a sua parte. Lotou o Allianz Parque e estabeleceu novo recorde de público da arena no Campeonato Brasileiro, com 38.794 pagantes. Os jogadores, porém, não corresponderam. A vibração que sobrou nas arquibancadas faltou em campo e a equipe foi derrotada por 1 a 0 pelo Atlético-PR ontem pela manhã. O gordinho Walter marcou o único gol do jogo.

Com o resultado, o Atlético-PR freou o embalo do Palmeiras, que vinha de oito partidas sem derrota — sete vitórias e um empate, incluindo partidas do Brasileirão e da Copa do Brasil. Por outro lado, foi a terceira vitória seguida do Atlético-PR, que ultrapassou o adversário na tabela de classificação e tirou o Palmeiras do G4. A distância do alviverde para o líder Atlético-MG agora já é de sete pontos (35 a 28).

No embalo da sua torcida, o Palmeiras até que começou melhor e pressionou. A impressão era que o Verdão não teria dificuldades para conseguir a vitória. A postura ofensiva da equipe, no entanto, deixava espaço para os contra-ataques do adversário e, com 9’, Fernando Prass já teve de fazer a primeira defesa, após Crysan aparecer sem marcação pela direita e chutar cruzado com força.

O calor, então, passou a castigar os atletas. A partida perdeu intensidade. O Palmeiras já não conseguia mais explorar as jogadas em velocidade. E aos 33’ perdeu Gabriel, que se machucou sozinho e teve de ser substituído por Andrei Girotto. A equipe, assim, ficou sem o seu melhor marcador.

No intervalo, o técnico Marcelo Oliveira resolveu colocar Kelvin no lugar de Rafael Marques. O time ganhou mais mobilidade na frente, mas o ainda não jogava o suficiente para abrir o placar. Faltava capricho e qualidade no acabamento das jogadas. Rondava a área do Atlético-PR sem conseguir ser efetivo. Marcelo Oliveira ainda trocou Leandro Pereira por Lucas Barrios, mas os erros persistiram. Sem criatividade, o Palmeiras tentava jogadas previsíveis e era facilmente anulado.

Com o passar do tempo, a torcida foi perdendo a paciência e o apoio incondicional do primeiro tempo deu lugar a xingamentos a cada passe errado ou jogada mal concluída da equipe.

Vacilo

Depois de tanto falhar no ataque, o Palmeiras acabou vacilando na defesa. E um único erro acabou sendo fatal. Aos 31’, após cobrança de escanteio de Nikão pela esquerda, Lucas cabeceou para trás e a bola sobrou para Walter empurrar para o fundo da rede. Após dois jogos fora por causa de uma lesão na coxa esquerda, o atacante conhecido pelo gols e pela barriguinha saiu do banco e acabou sendo decisivo.

Depois, na ânsia de buscar o empate, o Palmeiras passou a jogar de forma desesperada. Melhor para a pequena e barulhenta torcida do Atlético-PR, que fez a festa diante de 38 mil palmeirenses, que ainda aplaudiram os jogadores após o apito final. (Da Agência Estado)

PALMEIRAS

Fernando Prass; Lucas, Victor Ramos, Leandro Almeida e Egídio; Gabriel (Andrei Girotto), Arouca e Robinho; Dudu, Rafael Marques (Kelvin) e Leandro Pereira (Barrios). Técnico: Marcelo Oliveira.

Marcelo Oliveira admite erros no ataque e na defesa

Marcelo Oliveira reconheceu que, apesar do bom volume do jogo, o Palmeiras não soube ser efetivo no ataque. Ontem, foi a 10 partida do treinador à frente da equipe, que havia sofrido até então apenas uma derrota, em sua estreia. "Erramos muito na parte técnica, apesar de estar no ataque, ter volume bom de jogo. Criamos poucas oportunidades claras. Foram apenas chutes de fora e cabeceios", avaliou.

O treinador lamentou sobretudo a falta de inspiração aos seus homens de frente. "A jogada individual, o toque diferente e a bola bem enfiada são importantes. Não fizemos isso com tanta eficiência", observou.

Marcelo Oliveira, no entanto, saiu em defesa de Rafael Marques, que foi muito mal no primeiro tempo e acabou substituído por Kelvin no intervalo. Segundo o treinador, o atacante não estava 100% fisicamente e ainda foi prejudicado pelo forte calor que fez ontem pela manhã em São Paulo.

"O Rafael não produziu tudo o que sabe porque estava com sinusite, tomando remédio, antibiótico, e o tempo estava muito quente", justificou o técnico.

Com relação à defesa, o treinador criticou o fato de Walter ter sobrado sozinho no lance que definiu a partida. Segundo Marcelo Oliveira, aquela jogada foi treinada durante a semana porque a bola parada é um dos pontos fortes do adversário.

O volante Gabriel, com uma torção no joelho esquerdo, preocupa para a partida de domingo, contra o Cruzeiro, no Mineirão. O jogador é considerado fundamental na equipe. Já a partida marcará o reencontro de Marcelo Oliveira com seu ex-clube. (AE)