Publicado 09 de Agosto de 2015 - 0h00

Por Sheila Vieira

Monumento ao Afogado, em Punta del Este

Divulgação

Monumento ao Afogado, em Punta del Este

Não muito longe de Campinas, a 1,9 mil quilômetro em direção Sul do continente sul-americano — quase a mesma distância no sentido oposto até Salvador —, um destino além das fronteiras brasileiras aguarda turistas que buscam praias, boa comida, museus, hotéis de luxo e cassinos. O Uruguai, conhecido nos países de língua espanhola como el paisito, ou, o país pequenino, é uma opção de viagem ao Exterior não muito cara, com pacotes a preços competitivos, e que oferece uma grande variedade de passeios e entretenimento.

A geografia da segunda menor nação da América do Sul — a primeira é o Suriname —, é formada por muitos prados e poucas florestas. Essa característica coloca o território como um dos principais destinos para observação de pássaros, que elegem o país como morada temporária durante o Inverno no Hemisfério Norte. Em um único dia é possível observar mais de 80 espécies. Na água também há atrações encantadoras. Basta caminhar pelos portos para observar lobos-marinhos à procura de cabeças e espinhas de peixes lançadas na água por pescadores.

Uma cidade uruguaia, em especial, é muito querida pelos brasileiros. Punta Del Este, na verdade, é uma península que guarda encantos que seduzem a maior parte de seus visitantes. Localizada em um estuário banhado pelo Oceano Atlântico e, do outro lado, pelo Rio da Prata, a cidade reúne na mesma paisagem praias mansas e outras de águas revoltas.

Cosmopolita, mas com pés bem fincados em suas tradições, Punta une arquitetura contemporânea e construções históricas, principalmente nas proximidades do farol e da primeira igreja da cidade. Passado e presente se misturam harmoniosamente na cidade, que tem uma agitada vida noturna, proporcionada por pubs, clubes e restaurantes.

Foto: Divulgação

Monumento ao Afogado, em Punta del Este

Monumento ao Afogado, em Punta del Este

Com canteiros de obras de empreendimentos suntuosos espalhados em diversos pontos — um deles estampa a face do magnata norte-americano Donald Trump —, a cidade é famosa por oferecer qualidade em serviços e em hotelaria. Novidades devem surgir na próxima temporada de Verão, quando o balneário será novamente invadido por gaúchos e catarinenses, que se aventuram a percorrer dois dias de estrada até o país vizinho. Por quê? O câmbio de oito para um, diferença entre o peso uruguaio e o real, é uma das razões. O dólar norte-americano, que vale 28 pesos, também é largamente utilizado no comércio, para pagamento de diárias de hotéis e nos serviços. Até os supermercados locais aceitam as três moedas: real, dólar e peso, mas o troco sempre será em peso.

Museu Ralli

O Uruguai é uma nação conhecida pela garra de seus jogadores de futebol e também por seus artistas. O poeta Cipriano Santiago Vitureira e o escritor Napoleón Baccino Ponce de León são alguns exemplos de propagadores da arte desse povo. Em Punta há várias opções de passeios ligados à arte. No bairro Beverly Hills, por exemplo, fica o Museu Ralli. O espaço é um empreendimento sem fins lucrativos que guarda obras de renomados escultores, pintores e artistas plásticos. O acesso é gratuito, como defendem os responsáveis pela instituição, que é privada, e abre suas portas durante o Verão, com o mais completo acervo de arte latino-americana contemporânea de artistas vivos. O museu também expõe esculturas de Dalí, Botero, Volti, Robinson, Juarez, Amaya e Cardenas. No Museu Ralli não há guias, nem excursões guiadas, tampouco informações audiovisuais. Isso, porque não há a intenção de que o local seja didático, mas que instigue o visitante a apreciar as obras em absoluta privacidade. Há um local que impressiona: o pátio externo das esculturas em bronze. Dezenas delas, muitas em tamanho real, formam uma interessante coleção. Algumas parecem que ganharão vida a qualquer momento.

Fundação Pablo Atchugarry

Vizinha a Punta Del Este, em Manantiales, a Fundação Pablo Atchugarry é outra parada obrigatória para o turista que procura arte no Uruguai. Também é uma fundação sem fins lucrativos criada para promover as artes plásticas, a literatura, a música, a dança e outras manifestações artísticas. É palco para esculturas, pinturas de artistas convidados e também das peças em mármore do seu fundador, o escultor Pablo Atchugarry, cujas obras estão avaliadas em milhares de dólares. Atchugarry mantém um ateliê no prédio, além das três salas de exposição, um auditório para concertos, um cenário ao ar livre, um restaurante e um salão didático. Na parte externa há um parque com diversas esculturas.

Foto: Divulgação

Esculturas de bronze no Museu Ralli

Esculturas de bronze no Museu Ralli

Toscana uruguaia

Pertinho de Punta, em Garzón, uma propriedade agrícola foi desenvolvida para ser a pequena “Toscana” uruguaia. E a aposta da Agroland S.A. deu muito certo. Plantou milhares de oliveiras e vinhedos em um solo com características únicas e desde 1999 colhe os resultados: azeite extravirgem e vinhos de uvas tannat, pinot noir e albariño. A propriedade oferece passeios no catálogo Experiências Garzón, que reúne desde um piquenique nos vinhedos, passeio de bicicleta e visitas para conhecer o processo de elaboração do mais puro azeite.

Foto: Divulgação

Fundação Atchugarry

Fundação Atchugarry

Um dos passeios mais requisitados é a visita às oliveiras, a bordo de uma cabine puxada por trator, e que possibilita ao visitante o contato com o vento e o cheiro do mato. Em dias muito frios, a empresa fornece mantas de lã rústica de tear para a proteção contra o vento. É um passeio encantador em meio a paisagens que realmente lembram a Toscana. Todas as visitas incluem a fábrica-boutique de elaboração de azeite de oliva extravirgem, um auditório com telão onde é passado um filme sobre a história do precioso líquido, e a degustação dos produtos produzidos e fabricados na propriedade. Pode ser com azeites, vinhos, queijos, pães artesanais, amêndoas, azeitonas e mel. A degustação mais ampla inclui todos os produtos da fazenda, como os vinhos da Bodega Garzón e demanda mais de duas horas de entretenimento. A outra opção, mais simples, dura uma hora e se limita aos azeites e pães. Há uma lista com sugestões de experiências para visitantes que traz até passeio com balão. São dez experiências diferentes no programa de visita à Colinas de Garzón, que acontece de quarta a domingo e precisa ser reservado com um dia de antecedência para algumas opções de passeio e, para outros, com até sete dias. Vale muito a pena. Ao final, o visitante pode comprar os produtos da casa.

A jornalista viajou a convite do Enjoy Conrad Punta del Este Resort & Casino e da TAM Airlines

 

Escrito por:

Sheila Vieira