Publicado 09 de Agosto de 2015 - 5h01

Cena do ator Kevin Spacey no encerramento da segunda temporada da série House of Cards

Divulgação

Cena do ator Kevin Spacey no encerramento da segunda temporada da série House of Cards

Se alguém ainda tem dúvidas que a Netflix está no caminho para dominar o mundo das séries, o anúncio feito esta semana deve resolver isso. O serviço de streaming encomendou à Boutique Filmes, depois de muita especulação, a primeira série 100% brasileira.

A plataforma de vídeos sob demanda informou que "3%" será uma produção de suspense dirigida pelo uruguaio radicado no Brasil e indicado ao Oscar Cesar Charlone (Cidade de Deus, Ensaio sobre a Cegueira, O Banheiro do Papa).

Mais do que isso, que a série será filmada e lançada em 2016 e protagonizada por João Miguel (Estômago, Xingu, Felizes Para Sempre?) e Bianca Comparato (Avenida Brasil, Sete Vidas, Irmã Dulce).

A questão é que, mais do que embarcar em um novo mercado e, provavelmente, fazer a diferença na produção local, a Netflix e todo o seu poder global pode, definitivamente, mostrar ao mundo o que nós temos a oferecer.

Aqueles que acabaram de pensar que isso já acontece com os (pouquíssimos) filmes que ganham destaque internacional ou mesmo pelas intermináveis novelas globais em suas versões dubladas nos mais variados idiomas, bom, a falta de interesse em filmar aqui pelas grandes indústrias mostra que as coisas não são bem assim.

É claro que os assinantes do serviço por aí não vão ficar ansiosos e esperando, por enquanto, pela liberação de uma série brasileira — como acontece com praticamente todas as séries da plataforma.

Ainda assim, "3%" continua sendo, mais do que a primeira produção feita no Brasil, uma série original da Netflix que terá lançamento mundial, e só de ouvir isso, qualquer fã de seriados sabe que é preciso dar uma atenção extra.

O motivo, obviamente, é o que a Netflix vem fazendo nos últimos anos: lançando uma série melhor do que a outra, em diversos gêneros, abalando o mercado que antes era dominado por alguns canais norte-americanos (que, inclusive, já demonstraram que estão preocupados com esse avanço).

Vamos citar as de mais destaque. House of Cards e Orange Is The New Black são, de longe, as melhores; entre as comédias, impossível não assistir Unbreakable Kimmy Schmidt e Grace and Frankie (tem gente que está curtindo a novíssima Wet Hot American Summer: First Day of Camp, mas eu, particularmente, achei um horror); entre os dramas, temos as excelentes Daredevil e Bloodline; e tem ainda Sense8, a melhor surpresa de 2015, uma série fabulosa, que te prende de uma tal maneira que é inacreditável não ter saído, até agora, a renovação da segunda temporada.

E tem séries originais para todos os gostos, como a de época Marco Polo, a de terror Hemlock Grove, e a animação adulta BoJack Horseman. Definitivamente, é muita coisa.

Tanto que já há amigos que me contam, com orgulho, que vão cancelar determinados pacotes da TV fechada porque, agora, as melhores séries estão na Netflix.

É claro que há muita coisa boa na TV ainda (Game of Thrones e The Walking Dead não me deixam mentir), mas também não estranho quem está fazendo isso. Se é preciso fazer escolhas, eu diria que o site é uma ótima opção.

E era só questão de tempo até o Brasil entrar na dança da Netflix. Principalmente depois que o México ganhou sua primeira série local original do serviço — no caso, Club de Cuervos, que teve todos os episódios liberados na última sexta-feira.

Ou seja, corra para ver. E não dá para esquecer que Narcos, a esperada série de José Padilha, com Wagner Moura no papel de Pablo Escolar, estreia no próximo dia 28.

Só para você saber, "3%", série de ficção científica criada por Pedro Aguilera, ganhou, em 2011, um episódio piloto dividido em três partes e disponibilizado no YouTube com legendas em inglês.

A ideia era conseguir alguma emissora para bancar o projeto, que se passa num mundo dividido entre progresso e devastação.

A sinopse diz que todas as pessoas do lado devastado, ao completarem 20 anos, podem se inscrever em um processo seletivo para irem para o progresso. Só que apenas 3% dos inscritos são aprovados e serão aceitos nesse mundo melhor, cheio de oportunidades e com a promessa de uma vida digna.

Obviamente, o processo de seleção é cruel, com provas cheias de tensão e situações limites de estresse, medo e dilemas morais. Tomara que ela seja boa e que o mundo se interesse. O Brasil, e a Netflix, claro, agradecem.