Publicado 04 de Agosto de 2015 - 5h00

Por Pe. Messias Martins

iG - Messias Martins

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O papa visitou a América do Sul no mês passado e surpreendeu com posições ousadas sobre mudança climática e desigualdade de renda. Ajudou a mediar um histórico degelo entre os Estados Unidos e Cuba e sacudiu uma pesada marca da Igreja Católica Romana.

Mas, para todas suas incursões na diplomacia internacional e destreza na construção de sua imagem foi testar sua habilidade no que pode ser uma tarefa muito mais difícil: colocar paroquianos nos bancos e mantê-los lá.

O The New York Times publicou um artigo do jornalista William Neuman, que julguei relevante comentar aqui.

Quando Francisco foi nomeado Papa em março de 2013, se tornando o primeiro pontífice da América Latina, ele foi saudado por muitos como sendo o tipo de figura que há muito tempo era necessária na Igreja Católica para que ela tivesse apelo junto a sua base em países mais pobres.

A escolha de seu nome assinalou o quão vital é o mundo em desenvolvimento para o futuro da Igreja e ofereceu um caminho para reverter sua erosão na América Latina, uma região que reúne quase 40% dos católicos do mundo, mas tem experimentado um aumento constante no secularismo e ramificações concorrentes do cristianismo.

No mínimo, a mudança de tom — feita por um Papa que defende os pobres e evita muitos dos luxuosos adornos de seu gabinete, e até posa para selfies com seguidores — tem elevado as esperanças de muitos fiéis. Mas se a mudança da imagem no topo da Igreja vai ser seguida por resultados no chão continua sendo uma questão na região.

Na capital do Equador, onde o Papa iniciou sua visita, o Arcebispo Fausto Trávez reconheceu uma preocupação com o que chamou de declínio da Igreja nas últimas décadas, incluindo um número cada vez menor de padres. O jornalista lembra que cada vez mais pessoas que cresceram como católicas dizem que não são mais filiadas a qualquer igreja, especialmente em países como Uruguai, Chile e Argentina.

O Paraguai registrou a maior porcentagem de adultos que se identificam como católicos, em 89%.

E tanto o Paraguai e o Equador possuem uma porcentagem relativamente alta de católicos que dizem que praticam uma forma “carismática” de catolicismo — que às vezes inclui dar pulos e erguer as mãos durante as cerimônias, ou falar em línguas — um fenômeno que tem se desenvolvido nos últimos anos em resposta ao crescimento do Pentecostalismo.

Os três países estão entre os mais pobres e menores da América do Sul, fazendo com que a visita do Papa mantenha seu foco em ajudar o pobre e ministrar para aqueles na periferia. E todos os três, particularmente a Bolívia, possuem grandes populações indígenas, que a Igreja está perdendo.

“Se há um setor da sociedade latino-americana que mais abandonou a Igreja Católica, foi a população indígena”, afirma o professor Andrew Chesnut, da Virgínia Commonwealth University.

Ele disse que as igrejas pentecostais têm sido rápidas em empregar pastores indígenas em países como Guatemala e Bolívia, “enquanto, por outro lado, é possível contar, em vários desses países, o número de padres católicos indígenas em duas mãos.”

O Papa celebrou uma série de missas que reuniram centenas de milhares de fiéis, e em algumas foram incluídos textos em línguas indígenas. Ainda assim, o espaço é difícil de preencher.

O Arcebispo Trávez disse que apesar de alguns seminaristas em sua arquidiocese terem vindo de famílias indígenas, nenhum deles fala suas línguas nativas. Quanto à visita do Papa Francisco, o Arcebispo afirmou, “Eu acredito que há muitas pessoas que perceberam que o Papa está vindo para recuperar as ovelhas perdidas.”

Todo dia Oro pelas intenções do Santo Padre e para que a Igreja seja o mais fiel possível ao projeto de Deus iniciado por Seu filho Jesus Cristo. A Esperança não nos pode faltar, ela é a ultima a morrer.

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Pe. Messias Martins