Publicado 06 de Agosto de 2015 - 22h01

CECILIO

CEDOC

CECILIO

Às vésperas do “Dia dos Pais”, quero lhes dizer de meu amor por vocês dois. Não sei o que seria de mim sem meus filhos. Amo-os muito, tanto e tanto que tenho dado a minha vida por vocês. Quero garantir-lhes o futuro, dar-lhes segurança, proteção, impedir que — como acontece comigo e sua mamãe — tenham que lutar tanto para alcançar uma vida feliz.

Um dia, vocês irão agradecer-nos por todo esse sacrifício, as nossas ausências, o nosso distanciamento de suas vidas. Temos que ganhar dinheiro, filhinhos, muito e muito dinheiro para fazê-los felizes. Por isso, não hesitamos em fazer grandes despesas para dar-lhes as melhores creches, as melhores pré-escolas, as melhores babás, os colégios que estão cuidando de educar-lhes para serem bons profissionais na vida, competentes em sua profissão. Essa educação irá prepará-los para, quando adultos, receberem grandes salários e êxito em suas profissões. E dinheiro, muito dinheiro.

Peço-lhes nunca se esquecerem de seus avós, tão generosos em cuidar de vocês em nossas frequentes ausências. Eles iam buscá-los nas escolas até que pudéssemos retornar, quase sempre após o jantar. À noite, vocês estavam cansados, dormiam no automóvel, papai e mamãe tinham pena de acordá-los. E os levávamos diretamente para a cama. Não nos víamos, é verdade. Mas esse nosso sacrifício era por vocês.

Seus avós — para que a mamãe e o papai tivessem o merecido descanso — cuidavam de vocês em fins-de-semana, em viagens que fazíamos. O nosso cansaço, filhinhos, era demais. Tínhamos, então, que relaxar junto a amigos, a passeios, a restaurantes. No sábado pela manhã, porém — e vocês lembrar-se-ão disso — mamãe e o papai os levávamos ao shopping para comprar coisas, para nos divertirmos em família. Vendo-os no McDonald’s — devorando aqueles sanduíches enormes — sentíamo-nos recompensados.

E nossas as brigas com os seus professores? Eles queriam ser ditatoriais, exigindo muito de vocês: aplicação nos estudos, disciplina, e o que chamavam de respeito. Nunca entenderam que nós lhes demos liberdade total desde criancinhas, sem restrições traumatizantes. Sempre quisemos que vocês, desde pequeninos, tivessem decisões próprias, fortalecendo as suas personalidades. Os professores e as escolas falavam em limitações a seus direitos, em obediência aos deveres. E o papai e a mamãe sempre os enfrentamos. Eles queriam impor deveres; nós queríamos liberdade total para vocês.

Certa vez, mamãe e papai fomos convidados para uma palestra a respeito de pais e filhos. Ora, ninguém precisa ensinar-nos a ser pai ou mãe. Já sabemos de nossa responsabilidade. O amor tudo vence e é amor, muito amor, que nós sempre lhes demos. Ou as manhãs de sábado no McDonald’s significam pouco?

Naquela palestra, o professor insistiu em nos advertir com uma reflexão estúpida. Ele dizia: “Os filhos começam amando os pais. Depois, julgam-nos. E, julgando-os, nem sempre os perdoam.” De nada nos serviu, pois vocês, queridos, irão julgar-nos algum dia, sabendo termos sido bons e generosos pais. Nunca deixamos de atender seus desejos e vontades. Nunca dissemos a palavra “não”. É essa educação em que acreditamos: dar, dar e dar coisas aos filhos.

Nossa família ama em silêncio. Cada um com seu computador, com a sua tevê, com seu celular. Um dia, vocês irão alegrar-se daquelas noites de domingo em que íamos comer pizza. Jantávamos sem nos falar, sem nos olhar, cada um jogando seus games pelo celular ou comunicando-se com amigos. Nunca tivemos o que dizer uns para os outros, pois nos entendíamos pelo silêncio.

Vocês, queridos, pediam e eram atendidos. Quantas vezes por ano trocamos os celulares de vocês? E os tênis? E as roupas, sempre de “griffes” famosas, mesmo que vocês quase não as usassem. Quando nós — ao contrário de pais ultrapassados — cobramos qualquer coisa de vocês, seja lá o que fosse? Eu me prometi jamais ser como o meu próprio pai, que me impunha horários, que me cobrava por não estudar, que me punia por faltar às aulas, por mentir. Não. Nunca lhes fiz qualquer advertência. Quero que vocês aprendam com a vida.

Neste “Dia dos Pais”, sei que receberei o reconhecimento pelo amor e educação que lhes dou. Minha esperança é a de que vocês — tornando-se adultos — aprendam a única lição que importa nesta vida: sejam espertos. Houve — e eu aprendi muito com ela — uma lei, chamada de Gerson, que dizia: “É preciso levar vantagem em tudo.” Morrerei feliz se vocês conseguirem ser espertos e ganharem muito, muito dinheiro. Amo vocês.