Publicado 06 de Agosto de 2015 - 5h54

Por Vanessa Tanaka

Carlos Eduardo Abrahão, especialista em gestão ambiental, durante um dos encontros: troca de experiências entre as diversas áreas com foco comum

Divulgação

Carlos Eduardo Abrahão, especialista em gestão ambiental, durante um dos encontros: troca de experiências entre as diversas áreas com foco comum

Lançado pelo Centro Infantil Boldrini em junho do ano passado, o Fórum Permanente sobre Meio Ambiente e Câncer da Criança tem o intuito de ser um canal sempre aberto a debates e reflexões a respeito das implicações científicas, éticas, legais, culturais, pedagógicas, sociais e estéticas sobre a relação entre meio ambiente e o câncer na criança. Com apoio do Consórcio Internacional Coorte de Câncer Infantil (I4C), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras instituições científicas, busca contribuir também para a instalação do tema na agenda governamental, empresarial, da sociedade civil e da mídia, e incidindo na formulação de políticas públicas respectivas.

Vários estudos promovidos nos últimos anos, por diferentes instituições, acentuaram a evidência de fatores ambientais na causa do câncer. Essa evidência foi comentada no Relatório Mundial do Câncer 2014, divulgado pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC), da Organização Mundial de Saúde, por ocasião do Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro.

Silvia Brandalise, presidente do centro, cita estudos realizados nos Estados Unidos, evidenciando clara elevação da incidência de câncer nas faixas etárias mais jovens. Outro estudo, da IARC, mostrou o aumento da incidência do câncer em crianças de zero a 14 anos de idade, sobretudo em leucemia e linfomas. Citou ainda estudos epidemiológicos realizados no Brasil em 307 lactentes, indicando alta associação da exposição ao ciprofloxacina (antibiótico), hormônios e pesticidas no primeiro e segundo trimestres de gravidez. E lembra pesquisas evidenciando a alta concentração de resíduos de agrotóxicos em vários alimentos. “A universidade deve procurar divulgar o saber intramuros para a sociedade, e o poder público deve transformar os conhecimentos relevantes em ações e fazer aliança com a universidade, de modo que todos possam propor um mundo melhor”, afirma Silvia.

A presidente observa que o fórum tem como princípio básico o direito à vida, previsto na Constituição Brasileira, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e em vários documentos internacionais, como a Convenção sobre os Direitos da Criança. Nas quatro edições ocorridas anteriormente, em junho, agosto, outubro e dezembro do ano passado, houve o imperativo da visão científica sobre os temas tratados, à luz dos novos conhecimentos produzidos e disseminados sobre os assuntos em pauta. Foi respeitada a transversalidade da abordagem, em uma perspectiva interdisciplinar, para envolver vários grupos e linhas de pesquisa sobre o tema.

“A oportunidade da realização dos fóruns propiciou um aprofundamento das discussões envolvendo exposição ambiental a produtos tóxicos e a ocorrência de doenças em humanos, com o foco prioritário em câncer. Possivelmente, a divulgação do fórum chamará mais a atenção sobre a discussão desses fatores”, ressalta Sílvia. O Boldrini foi convidado pela OMS a participar de um estudo epidemiológico sobre meio ambiente e câncer da criança e do adolescente (leia nesta página). Publicações internacionais de estudos de caso-controle do câncer da criança mostram a associação do câncer pediátrico com a exposição ambiental a agrotóxicos.

CONHEÇA

Centro Infantil Boldrini

Rua Dr. Gabriel Porto, 1270, Cidade Universitária, Campinas

Telefone: (19) 3787-5000

Site: www.boldrini.org.br

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Vanessa Tanaka