Publicado 03 de Agosto de 2015 - 22h12

Condomínio Vale da Santa Fé, em Valinhos

César Rodrigues/ AAN

Condomínio Vale da Santa Fé, em Valinhos

A reforma de R$ 1,3 milhão em uma das casas do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, em um condomínio de luxo em Vinhedo, foi paga com dinheiro de propina. O recurso ilegal era passado por empresas para conseguirem contratos com a Petrobras e lavado na firma de consultoria do político petista, a JD Assessoria e Consultoria.

A informação consta no relato do lobista Milton Pascowitch e teve peso decisivo no decreto de prisão de Dirceu, que ocorreu nesta segunda-feira (3) em Brasília, durante a Operação Pixuleco, 17° capítulo da Lava Jato.

De acordo com despacho do juiz federal Sérgio Moro, o ex-ministro recebeu um “mensalinho”, fruto de recursos desviados da Petrobras entre os anos de 2009 e 2014, mesmo após ele ter sido preso depois do processo do mensalão.

No depoimento Pascowitch declarou que intermediou propinas a Dirceu de outras empresas, como a Hope Recursos Humanos e a Personal.

O lobista declarou que, provavelmente entre o final de 2012 e início de 2013, contratou a arquiteta Daniela Fachini para fazer a reforma de uma casa vizinha a de Dirceu em Vinhedo, no Condomínio Vale da Santa Fé. A ideia era transformá-la em escritório e também moradia oficial do ex-ministro.

A casa estaria em nome da TGS Consultoria e Assessoria em Administração Ltda, empresa de Júlio Cesar dos Santos, sócio minoritário da JD, já desativada.

Daniela, segundo Pascowitch, foi a responsável por tocar a reforma, contratando subempreiteiros e fornecedores.

O valor completo da obra, de R$ 1,3 milhão, teria sido repassado pelo irmão de Pascowitch, José Adolfo, à conta pessoal da arquiteta. O montante teria sido declarado em Imposto de Renda, de acordo com o lobista.

O recurso milionário tem origem em uma contrapartida pelo contrato do polo Cacimbas II, além de contratos com as empresas Hope Recursos Humanos e Personal Service. A cidade de Cacimbas (ES) tem um gasoduto da Petrobras que vai até Catu (BA).

A obra já é investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) desde 2014 por lavagem de dinheiro, falta de projeto básico, superfaturamento e pagamento sem a prestação do serviço contratado.

Pascowitch disse ainda acreditar que Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, não tinha conhecimento detalhados dos recursos repassados a Dirceu por meio das reformas. No depoimento, ele falou, porém, que Duque “tinha conhecimento que os valores beneficiavam o grupo do José Dirceu”.

Duque saberia também que a reforma do apartamento do político em São Paulo foi paga com dinheiro de propina. A arquiteta Daniela Fachini também saberia que as reformas que comandou eram de imóveis de Dirceu, de acordo com o depoimento.

Condomínio

O Correio esteve na porta do condomínio e moradores falaram que Dirceu possui pelo menos três imóveis no local. As casas estariam sempre cercadas por seguranças e câmeras na rua complementariam o monitoramento ostensivo. O político não apareceria no local desde o ano passado.

Em novembro de 2014, o político petista foi a Vinhedo quando soube que o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu sua autorização de viagem. Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses, por corrupção ativa, no processo do mensalão.

O condomínio de luxo fica em local afastado, entre Vinhedo e Itatiba. O ex-ministro foi preso por conta do Caso Mensalão no dia 15 de novembro de 2013, mas conseguiu no dia 28 de outubro de 2014 o direito de cumprir a pena em regime domiciliar, em Brasília.

A mansão de Dirceu na região, que está penhorada desde 2009, se tornou um refúgio do político nos últimos anos.

NA CADEIA

Confira os oito detidos na 17ª fase da Lava Jato

Prisão preventiva:

José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil; Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura, lobista suspeito de representar José Dirceu na Petrobras; e Celso Araripe, gerente da Petrobras.

Prisão temporária de 5 dias:

Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão de Dirceu; Roberto Marques, ex-assessor de Dirceu; Júlio Cesar dos Santos, sócio da JD; Olavo H. de Moura Filho, irmão de Fernando de Moura; e Pablo Kipersmit, presidente da Consist Software.

Ainda não há confirmação da Polícia Federal sobre quando Dirceu deve ser transferido