Publicado 03 de Agosto de 2015 - 12h30

Por Agência Estado

Imagem feita pela Rede Globo mostra o momento da prisão de José Dirceu em sua residência, em Brasília

Captura de vídeo

Imagem feita pela Rede Globo mostra o momento da prisão de José Dirceu em sua residência, em Brasília

A força-tarefa da Lava Jato informou que, por meio de sua empresa, a JD Assessoria e Consultoria, o ex-ministro José Dirceu recebeu pelo menos R$ 39 milhões, dinheiro supostamente procedente do esquema de propinas na Petrobras. Os investigadores esclareceram, contudo, que o valor deve ser superior e que ainda precisa ser fechado, até porque a JD recebia remessas em espécie - o que dificulta a contabilização.

Ainda segundo a Lava Jato, foram bloqueados até o momento R$ 20 milhões das contas de Dirceu e de pessoas próximas a ele consideradas suspeitas.

Há informações de que a JD recebia "pagamentos" de praticamente todas as empreiteiras que participavam do cartel de fornecedoras da Petrobras, como Camargo Corrêa, OAS, Engevix, UTC.

Prisão preventiva

O procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima disse que o fato de Dirceu continuar recebendo propinas do esquema Petrobras, mesmo depois de condenado no processo do mensalão, justifica o decreto de prisão preventiva do ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Lula na 17ª fase da Lava Jato, deflagrada hoje.

"José Dirceu recebia valores desse esquema criminoso enquanto investigado no Mensalão. Recebia valores enquanto acusado no processo do Mensalão. Recebeu valores enquanto preso (na Papuda, em Brasília, já condenado no Mensalão). Seu irmão (advogado Luiz Eduardo Oliveira) foi a diversas empresas pedir pagamento de valores, doações para a empresa de José Dirceu", declarou o procurador.

Não inibiram

Segundo ele, "a prisão, o processo do Mensalão, as investigações no âmbito do Supremo não inibiram a atuação de José Dirceu".

"Não temos porque crer que agora, mesmo em prisão domiciliar, (Dirceu) agisse de modo diferente. Esse agir atenta contra a ordem pública, é um desrespeito com as instituições nacionais, especialmente com o próprio Supremo Tribunal Federal. Tanto é verdade esses fatos que um dos presos temporários é o irmão de José Dirceu (advogado Luiz Eduardo Oliveira). Ele vai ter que explicar porque foi às empresas pedir dinheiro enquanto José Dirceu estava preso", afirmou o procurador.

Fernando Moura

A força-tarefa da Lava Jato constatou que o empresário Fernando Moura, também alvo da Operação Pixuleco, "é um antigo lobista e operador ligado ao PT". "(Moura) já vem de muito tempo, desde o escândalo envolvendo o ex-tesoureiro do PT Silvinho que recebeu uma Land Rover.

Através de Fernando Moura, Renato Duque chegou à Diretoria de Serviços da Petrobras. Esse esquema passa pela compra de apoio parlamentar, talvez seja o primeiro ponto. Passa por uma facilitação do núcleo das empreiteiras, pelo enriquecimento de algumas pessoas, caso de José Dirceu, enriquecimento pessoal, não mais do partido (PT)", diz Carlos Fernando dos Santos Lima.

Instituidor 

O procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato, afirmou nesta segunda-feira (3) que o ex-ministro José Dirceu (governo Lula) foi o instituidor do esquema de corrupção instalado na Petrobras. Condenado no Mensalão, José Dirceu foi preso nesta segunda na Lava Jato.

"Toda empresa tem uma estrutura piramidal, os cabeças que tomam as decisões. Não são operadores, essas pessoas dizem 'faça' e os outros fazem. Eles não tomam nota, não fazem reuniões com operadores financeiros. Simplesmente têm uma função de colocar as pessoas nos lugares certos e de determinar. José Dirceu, evidentemente, colocou Duque (Renato Duque) na função de diretor da Diretoria de Serviços da Petrobras. Colocou Paulo Roberto Costa (Diretoria de Abastecimento) atendendo a pedido de José Janene (ex-deputado, réu do Mensalão, morto em 2010). A partir desse momento, José Dirceu repetiu o esquema do Mensalão. Um ministro do Supremo já disse que o DNA é o mesmo, o caso do Mensalão como na Petrobras, na Lava Jato. Não há muita diferença. A responsabilidade de José Dirceu é evidente lá (no Mensalão) mas também aqui (Lava Jato), como beneficiário. Ao mesmo tempo em que naquele governo (Lula) José Dirceu determinou a realização (do Mensalão) também determinou esse esquema (Petrobras). Agora, não mais como partidário, mas para enriquecimento pessoal", afirmou o procurador.

Papel crucial

Segundo Carlos Fernando dos Santos Lima, a investigação que deflagrou a operação Pixuleco, 17º capítulo da Lava Jato, revela que o ex-ministro teve papel crucial na instalação do modelo que abriu caminho para o cartel de empreiteiras que se apossaram de contratos bilionários na estatal mediante pagamento de propinas para políticos e ex-diretores da Petrobras.

O procurador destaca que Dirceu foi beneficiário de valores ilícitos por meio de sua empresa, a JD Assessoria e Consultoria. Ele citou também o empresário Fernando Moura, que teria indicado a Dirceu o nome do engenheiro Renato Duque para ocupar a unidade mais estratégica da Petrobras, a Diretoria de Serviços. Duque está preso e negocia delação premiada.

Agentes responsáveis

"A JD e Moura são os agentes responsáveis pela instituição do esquema na Petrobras, ainda no tempo em que José Dirceu era ministro da Casa Civil (governo Lula). Temos indicativos que (o esquema) vem desde aquela época, passou pela investigação do Mensalão, pelo processo do Mensalão, pela condenação de José Dirceu, pelo período em que ele ficou na prisão (Papuda), sempre com pagamentos para a JD. Um dos motivos pelos quais estão sendo presos ambos (Dirceu e Fernando Moura) hoje é porque esse esquema perdurou, apesar da movimentação da máquina do Supremo e de todo o Judiciário", afirmou.

O procurador disse ainda que a Pixuleco "vai além de José Dirceu como recebedor e beneficiário, trata-se de uma investigação que busca José Dirceu como o instituidor do esquema Petrobras ainda no tempo da Casa Civil".

Veja também

  

Veja também

Continue Lendo

Escrito por:

Agência Estado