Publicado 07 de Agosto de 2015 - 23h51

Por France Press

O secretário de Estado americano, John Kerry (à esquerda), e o presidente vietnamita, Truong Tan Sang, apertaram as mãos calorosamente no palácio presidencial

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O secretário de Estado americano, John Kerry (à esquerda), e o presidente vietnamita, Truong Tan Sang, apertaram as mãos calorosamente no palácio presidencial

O secretário de Estado americano, John Kerry, celebrou, nesta sexta-feira (7), no Vietnã a reconciliação entre estes dois países, que já foram inimigos, e convocou o regime comunista a avançar em matéria de direitos humanos para reforçar os vínculos entre Washington e Hanói.

Esta "viagem para a reconciliação entre nossos países é realmente uma das maiores histórias de nações que estavam em guerra e puderam encontrar um terreno de entendimento para construir uma nova relação", expressou Kerry ao se reunir com o presidente vietnamita, Truong Tan Sang.

Os dois homens apertaram as mãos calorosamente no palácio presidencial, ante um busto gigante de bronze do herói da independência, Ho Chi Minh.

"Lembramos o caminho percorrido dos primeiros dias difíceis até hoje", quando Washington e Hanói se tornaram "muito bons, amigos muito próximos", respondeu o presidente Sang.

Kerry, que se encontra na última fase de uma viagem por Oriente Médio e Ásia, viajou ao Vietnã para celebrar o 20º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países.

O chefe da diplomacia americana exigiu, no entanto, uma melhora na questão dos direitos humanos como condição para uma colaboração "mais profunda e duradoura" entre os dois países.

Os Estados Unidos e o Vietnã travaram uma longa guerra que terminou em 1975 com milhões de mortos do lado vietnamita e dezenas de milhares de soldados americanos mortos, uma experiência traumática para os dois países.

"Só vocês podem decidir o caminho e a direção deste progresso. Mas estou certo de que vocês viram que os sócios mais próximos da América em todo o mundo são países que compartilham um compromisso com determinados valores", acrescentou Kerry.

Grupos de defesa dos direitos humanos e governos ocidentais denunciam com frequência o país comunista por sua repressão da oposição política e pelas violações sistemáticas da liberdade religiosa.

Segundo estimativas de Washington, o número de presos políticos caiu, mas ainda há uma centena na prisão (em 2003 havia 160).

O secretário de Estado reconheceu ter constatado avanços positivos no ano passado, especificamente a ratificação da Convenção contra a Tortura e a libertação de alguns presos de consciência.

No entanto, para Kerry, ainda é preciso realizar melhoras. Como exemplo, se referiu a leis em vigor no Vietnã, que permitem perseguir críticos internos.

Embargo às armas 

Quando era senador, na década de 1980, Kerry trabalhou para normalizar as relações entre Washington e Hanói, até o levantamento do embargo econômico, em 1994, e foram estabelecidas relações diplomáticas um ano mais tarde.

Desde então, os números do comércio bilateral passaram de 450 milhões de dólares em 1995 a 36 bilhões (33 bilhões de euros) atualmente.

No fim de 2004, a relação entre os dois países deu mais um passo com o levantamento parcial do embargo sobre a venda de armas ao Vietnã, em um contexto de crescente tensão no Mar da China Meridional com Pequim.

Kerry advertiu, nesta sexta, que se não ocorrerem avanços na questão dos direitos humanos, o embargo sobre as armas não será totalmente levantado. O ministro das Relações Exteriores vietnamita, Pham Binh Minh, respondeu afirmando que seu país respeita e promove os direitos humanos, mas se comprometeu a seguir avançando.

Os dois sócios também abordaram a questão da zona de livre comércio TransPacífico (TTP) entre países banhados pelo Oceano Pacífico, uma das prioridades comerciais da Administração americana.

Esperamos que, em alguns meses, antes do fim do ano, esteja concluído, disse o chefe da diplomacia americana.

Kerry, de 71 anos, serviu como comandante de um barco patrulha no Vietnã entre 1967 e 1979. Seu serviço lhe valeu inúmeras medalhas, mas também o transformou em um cético no que se refere ao intervencionismo militar.

Na noite desta sexta, o secretário de Estado americano deixou a capital vietnamita para retornar a Washington, após cumprir outras etapas de sua viagem à região, que passou por Egito, Catar, Singapura e Malásia.

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