Publicado 08 de Agosto de 2015 - 16h15

O presidente do Lide Economia, Paulo Rabello de Castro

Janaína Ribeiro/ Especial a AAN

O presidente do Lide Economia, Paulo Rabello de Castro

Empresários e autoridades apostam na exportação, na inovação e na tecnologia para a região de Campinas driblar a crise econômica. Essa foi a mensagem do 4º Fórum de Investimentos Campinas e Região Metropolitana, promovido neste sábado (8) pelo Lide – Grupo de Líderes Empresariais, no Royal Palm Plaza Resort. No evento, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou o decreto do credenciamento definitivo de quatro parques tecnológicos da cidade no Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec). O ingresso no sistema habilita as unidades a obterem financiamentos, incentivos fiscais e recursos estaduais para crescer.

Entre os participantes do fórum, foi unânime a opinião de que, com o dólar operando a mais de R$ 3,50, é o momento de as indústrias receberem incentivos para exportar. “O dólar a R$ 3,50, e com possibilidade de subir ainda mais, abre espaço para a exportação. Eu diria que é uma possibilidade para Campinas, que tem o aeroporto de Viracopos e um setor logístico estruturado, liderar esse processo”, destacou Alckmin. O encontro reuniu mais de 300 empresários e teve palestras sobre investimentos e oportunidades no cenário brasileiro, turismo de negócios, saúde, inovação e tecnologia e desenvolvimento da indústria automobilística.

Para a presidente do Lide Campinas, Silvia Quirós, o encontro de empresários no Fórum representa um movimento positivo de mudança da sociedade diante da crise. “Na nossa região, apesar da crise, os investimentos continuam a vir e a acontecer”, comentou. A ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos foi um dos exemplos citados por ela entre os que precisariam ser acompanhados de hotéis e infraestrutura.

O presidente nacional do Lide, João Dória, afirmou que o empresariado brasileiro necessita encontrar soluções criativas para a crise, já que o governo está perdendo as rédeas da situação. Uma das alternativas é a exportação. Ele afirmou que, apesar da crise, os empresários têm uma expectativa otimista a longo e médio prazos. “A saída é buscar alternativas criativas, sobretudo focadas na exportação. A exportação de commodities, de bens de consumo, de tecnologia e até de serviços. Temos que aproveitar o câmbio favorável”.

O presidente do Lide Economia, Paulo Rabello de Castro, lembrou que, para tentar sair da crise, o governo federal precisa domar a dívida interna. “O dinheiro (do Brasil) está na despesa de rolagem da dívida interna brasileira, a mais obscena do mundo: R$ 417 bilhões. Isso é 40% da arrecadação tributária federal. Nenhuma empresa que gasta 40% de seu faturamento consegue fechar as contas”, analisou.

Para o vice-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Márcio França, a força econômica do Estado de São Paulo pode ajudar o Brasil a sair da crise. “Assumi a secretaria no auge da crise e havia uma dificuldade grande em se falar em desenvolvimento econômico. Mas as estatísticas contrariam a crise em São Paulo. Foram abertas 84 mil empresas no estado em 2015, contra 81 mil em 2014”, contou.

O vice-prefeito de Campinas, Henrique Magalhães Teixeira, disse que a crise deve ser tratada com seriedade, mas também pode ser uma oportunidade de fortalecimento para a região. “Se olharmos para a história, até mesmo de Campinas, é na crise que a gente se desenvolve. Mas, o empreendedor e o poder público devem continuar investindo na vocação da cidade”.

Mesmo com a crise que afeta a economia brasileira, a Região Metropolitana de Campinas (RMC) mantém o ritmo de atração de recursos neste ano. Dados da Investe São Paulo – Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade mostram que, no primeiro semestre deste ano, o anúncio de investimentos que serão aplicados na região somou R$ 1,5 bilhão; em 2014, foi de R$ 1,2 bilhão. O crescimento foi de 25%.