Publicado 07 de Agosto de 2015 - 22h48

Câmera que monitora a vida na mata identificou onça-parda adulta

Élcio Alves

Câmera que monitora a vida na mata identificou onça-parda adulta

Por essa, nem mesmo a equipe que trabalha há anos na Mata de Santa Genebra esperava. Maior área remanescente de Mata Atlântica da Região Metropolitana de Campinas (RMC), o lugar vibra com uma grata surpresa exatamente no momento em que celebra o seu 34º aniversário. Em 2013, um sistema de câmeras que capta movimentos dentro da mata flagrou uma fêmea adulta de onça-parda (também conhecida como suçuarana) naquela área. Era a primeira vez que aquele animal era filmado na mata e o Correio, à época, noticiou a novidade.

No ano passado, o mesmo sistema registrou a fêmea acompanhada de um macho circulando por ali. Nos últimos meses, as surpreendentes imagens que surgiram foram as de dois filhotes. Como se não bastasse, foram gravadas cenas com uma jaguatirica, espécie que havia desaparecido dali, e lontras. O fato representa uma vitória de todos no local, já que é o indício de que a área está com o seu ecossistema equilibrado.

Foto: Élcio Alves

Mata é um dos raros fragmentos de Mata Atlântica em área urbana no País

Mata é um dos raros fragmentos de Mata Atlântica em área urbana no País

“A presença da onça é o sinal de um equilíbrio bastante grande do ecossistema local”, confirma Pedro Henrique Delamain Pupo Nogueira, presidente da Fundação José Pedro de Oliveira, que faz a gestão compartilhada da Mata de Santa Genebra com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Foi um presente para todos”, comemora Cynira Any Jovilhana da Silva Gabriel, diretora do Departamento Técnico-científico da área. “Avistamos uma onça e achamos que estava prenha. Depois de um tempo, vimos uma fêmea e um macho. Agora, as câmeras registram uma onça com dois filhotinhos. Há 18 anos que estou aqui e é a primeira vez que eu vejo isso. Mais recentemente nós passamos a ter esse recurso das câmeras e pode ser que ela já tenha andado pela mata, mas nunca havíamos registrado”, comenta a diretora, lembrando que a partir de agora será realizado um trabalho de conscientização da vizinhança para evitar que noções equivocadas sobre o animal possam gerar pânico na população mais próxima e possíveis reações indesejadas.

De acordo com Cynira, o que pode estar ocorrendo é a tentativa de fuga das onças de um avanço cada vez maior das zonas urbanizadas. “São desmatamentos, condomínios. Isso faz com que esses animais sejam espantados para outras áreas. Eles estão buscando refúgio. Então, a mata, para a onça, nada mais é do que um lugar para se esconder. O que queremos entender agora é se esses animais vão continuar vivendo aqui ou se o espaço é apenas uma passagem. Vamos avaliar se a mata tem um suporte para atender esses animais por um bom tempo”, explica a diretora.

Cães e gatos

Apesar de estar cada vez mais próxima da mata, a população também pode contribuir para a proteção das espécies silvestres. O simples controle de seus animais domésticos já seria importante. “Cães e gatos podem trazer uma série doenças para dentro da mata, além de serem possíveis predadores de uma série de espécies que ficam abaixo da onça na cadeia alimentar, como tatus e coelhos, por exemplo. Esses animais estão com uma frequência muito constante aqui”, conta Cynira, alertando para uma outra situação. “Muitos cães e gatos são abandonados aqui. O pessoal vem passear no final de semana, deixa o animal e vai embora. Nas férias isso acontece bastante, as pessoas não sabem o que fazer com os bichos. Muitos deles também estão doentes e os donos simplesmente abandonam”, lamenta a diretora. A atual Administração fez o cercamento com alambrados da parte urbana da mata justamente para impedir que os animais domésticos continuem entrando, mas o problema ainda existe por falta de consciência de seus donos.