Publicado 09 de Agosto de 2015 - 5h17

Por Rogério Verzignasse

A nova área pública de lazer, que deve ficar pronta no final de agosto, vai ser batizada como Parque Dom Bosco

César Rodrigues/ AAN

A nova área pública de lazer, que deve ficar pronta no final de agosto, vai ser batizada como Parque Dom Bosco

O bairro nasceu na década de 90. Por ali se fixou uma massa de campineiros de origem modesta, que realizavam o sonho da casa própria. A população do Vida Nova explodiu, e a população sofria com serviços públicos deficientes, infraestrutura precária, desemprego, criminalidade. E a vulnerabilidade se transformou em tragédias. Em outubro de 1999, três pessoas foram mortas e outras sete feridas por um bando que invadiu a escola do núcleo. Em janeiro do ano passado, outros cinco jovens morreram, na maior chacina já registrada na história da cidade. Mais sete jovens foram assassinados na mesma noite, em bairros vizinhos.

Hoje, depois de tanto sofrimento, a realidade começa a se transformar, com ações que envolvem o poder público e a sociedade civil. E o principal símbolo de mudança é a inauguração de um parque público de 200 mil metros quadrados, em um fundo de vale que, até bem pouco tempo, era um imenso depósito de entulho com trechos erodidos, usados como reduto de usuários de drogas. A nova área pública de lazer, que deve ficar pronta no final de agosto, vai ser batizada como Parque Dom Bosco, em uma homenagem à ação social dos salesianos que, há quase 17 anos, acolhe crianças e adolescentes carentes.

O parque, com área equiparável à de dois Bosques dos Jequitibás, vem sendo construído desde outubro do ano passado, em uma gleba encravada entre as avenidas Comendador Emílio Piere e Gióia Júnior. O projeto foi elaborado pelo grupo de arquitetos da própria Prefeitura. As intervenções consumiram recursos públicos da ordem de R$ 3,5 milhões. Quem passeia por lá nota os 80 servidores trabalhando a todo vapor, de segunda a sábado, para cumprir o cronograma das obras. As quadras, o campo de areia, a pista de bocha, a pista de skate e o playground já fazem parte da paisagem. E, por todo o terreno, se espalham 12 mil mudas de espécies nativas da região: ipê, quaresmeira, jambolão, pata de vaca, cambará, jacarandá...

Antes mesmo do descerramento da placa da inauguração, o povo se diverte no espaço. Jovens jogam bola, crianças brincam na areia, moradores conversam nos bancos. O Vida Nova já abraçou o parque, mas o cenário ainda vai mudar bastante. O projeto procura resgatar o que foi devastado com o tempo. Segundo o secretário municipal de Serviços Públicos, Ernesto Dimas Paulella, a urbanização da gleba implicou em obras de drenagem complicadas que recuperaram taludes erodidos do vale, e na instalação de tubulações para a captação das águas pluviais que inundavam o vale.

Os servidores conseguiram desobstruir nada da menos que oito antigas nascentes da gleba. Represada, a água formou oito pequenos lagos, que prometem ser a marca registrada do novo parque. Com a volta do fluxo hídrico, os tanques vão ganhar peixes, e ao redor vão morar aves aquáticas. A implantação do parque também prevê a recuperação da várzea, ao longo de um córrego que atravessa 30 metros nos fundos do terreno.

“Novo Taquaral”

A segurança pública também recebe atenção especial. Toda a área foi cercada por alambrado. E 120 pontos de iluminação foram instalados, assim como uma base da Guarda Municipal. A ideia é que o parque seja ponto de lazer para toda a população. O próprio prefeito Jonas Donizette (PSB) costuma dizer que o novo bosque será “a nova Lagoa do Taquaral” da cidade. Depois de quatro décadas, a cidade vai ganhar um espaço tão imponente quanto o Parque Portugal. Desta vez, será beneficiada uma região com população estimada em 160 mil moradores, residentes no Vida Nova e em bairros como Mauro Marcondes, São José, Jardim Marajó, Vila Vitória, Jardim Vista Alegre, Parque Universitário, Parque Shangai, Jardim São Cristóvão, Jardim Planalto de Viracopos e Jardim Ademar de Barros.

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Rogério Verzignasse