Publicado 09 de Agosto de 2015 - 5h20

Por Moara Semeghini

O argentino José Andres Yunes, do Boldrini: estratégia poderosa

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O argentino José Andres Yunes, do Boldrini: estratégia poderosa

Um estudo internacional iniciado este mês em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Centro Infantil Boldrini e da Universidade da Carolina do Norte em Charllote (UNC Charlotte, EUA), leva esperança para crianças diagnosticas com um dos tipos mais agressivos de leucemia, o BCR-ABL1-like. A meta é identificar os genes causadores desse subgrupo de Leucemia Linfoide Aguda (LLA) — tipo de câncer infantil mais comum — e encontrar novas drogas que inibam a doença.

O estudo colaborativo é coordenado pelo professor, biólogo e cientista brasileiro Paulo Arruda, do Departamento de Genética da Unicamp, em parceria com o pesquisador argentino José Andres Yunes, do Boldrini, e com a professora chinesa Xinghua Mindy Shi, do Departamento de Bioinformática e Genômica da UNC Charlotte. O estudo custará US$ 40 mil e os recursos são da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da UNC Charlotte. Para realizar o projeto colaborativo, foi montada uma equipe interdisciplinar responsáveis pela pesquisa biomédica, que reúne competências em bioinformática, genética, ciências, proteínas e biologia do câncer. A pesquisa já é considerada inovadora pelos pequisadores graças à utilizarão conhecimentos na área de bioinformática — técnicas de informártica usada no estudo de biologia — que dará acesso a informações sobre os 21 mil dos genes presentes em cada célula.

A LLA é o câncer mais comum diagnosticado em crianças e representa aproximadamente 25% dos diagnósticos de câncer entre crianças menores de 15 anos. A LLA do tipo BCR-ABL1-like é caracterizada por mutações genéticas nos circuitos de sinalização celular. Segundo o doutor José Andres Yunes, é justamente o excesso de estímulo celular causado pelas mutações que contribui para o surgimento desse tipo de leucemia, assim como a sua maior resistência ao tratamento quimioterápico. Daí a necessidade de buscar novas drogas para bloquear os circuitos defeituosos. De acordo com ele, pacientes com LLA têm uma sobrevida de 80%. Já para os que desenvolvem o BCR-ABL1-like, a sobrevida é de 50%. “A pesquisa será baseada na integração de análises de bioinformática com estudos experimentais que tem demonstrado ser uma estratégia poderosa para fazer avançar a compreensão das doenças”, afirma o pesquisador. 

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Moara Semeghini