Publicado 09 de Agosto de 2015 - 5h20

Por Inaê Miranda

Jenifer da Silva, de 16 anos, ao lado da professora espanhola Virginia Ruiz: "Aqui os alunos são participativos"

Leandro Ferreira/ AAN

Jenifer da Silva, de 16 anos, ao lado da professora espanhola Virginia Ruiz: "Aqui os alunos são participativos"

Acreditar em um futuro melhor se tornou algo concreto para um grupo de 40 estudantes da Escola Estadual Professora Benedicta de Salles Pimentel Wutke, de Campinas. Desde a última terça-feira os jovens, com idades entre 13 e 15 anos, aprendem noções de informática, inglês e participam de dinâmicas que visam prepará-los para o mercado de trabalho. Os professores, 20 voluntários do projeto Iberdrola São Paulo 2.0, vêm dos Estados Unidos, Espanha e Escócia e decidiram doar três semanas de suas férias para ajudar o grupo.

A forma descontraída como transmitem o conhecimento transforma as aulas realizadas no Instituto Elektro em momentos mágicos. O curso começou no último dia 3 e os voluntários vão embora ao final de três semanas, mas o curso prossegue por um ano com professores brasileiros.

Durante três semanas, as aulas são desenvolvidas em dois momentos. Na primeira hora e meia, os alunos aprendem conteúdos de informática. Após o intervalo são desenvolvidas atividades lúdicas que relacionam conteúdos de inglês, de matemática — por meio de jogos —, brincadeiras e dinâmicas de grupo. Além de permitir conhecimento básico em língua estrangeira, as atividades diferenciadas promovem a integração, relacionamento e contato com outras culturas.

Além disso, estreitam a relação e os laços entre os voluntários e alunos. As aulas de computação também buscam preparar os alunos para o mercado de trabalho. Não simplesmente capacitando-os, mas apontando novos rumos. A ação social dos voluntários no Brasil também inclui a pintura do prédio da Casa da Criança Paralítica, que deve ser feita hoje.

A engenheira Virginia Ruiz, de 27 anos, é funcionária do grupo Iberdrola. Espanhola, ela vive atualmente na Escócia. Também participa de atividades voluntários na Europa, mas em sua primeira visita a Campinas está encantada com a receptividade dos alunos. “Trabalho com adolescentes nos acampamentos de verão e em diferentes projetos sociais com públicos mais desfavorecidos. Na Espanha, os meninos não querem participar. Aqui, os alunos são muito gratos pela oportunidade e participativos.” O carisma e a proximidade com o idioma da voluntária tornam Virginia requisitada entre os estudantes. A atenção é recíproca. “Penso que o tempo é muito curto e lamento ter que falar tchau em três semanas”, diz.

Supervisão constante

Após o término das três semanas com os voluntários, o contato entre os participantes permanece por redes sociais e as aulas continuam na escola de computação People, com cursos que aprofundam os conhecimentos em softwares. “Depois, o contato com os voluntários se mantém pelo Facebook, Skype e outras redes sociais. O voluntário passa a ter um papel de acompanhamento, de oferecer reforço e de olhar mais de perto para o aluno”, afirmou Álvaro Santa Maria, responsável pelo projeto. Felipe Zanola, especialista de sustentabilidade destacou que a experiência desenvolve competências de aspecto humano no voluntário, melhora sua comunicação e seu desempenho dentro da empresa, o torna mais ágil na solução de problemas.

A troca de experiências é uma via de mão dupla, como afirma Santamaria. “Os voluntários aprendem muito mais com os meninos”, afirma. Scott Martin, de 31 anos, disse que quando surgiu a oportunidade para vir em 2014 pela primeira vez, não tinha muitas expectativas, mas após as três semanas foi embora pensando “essa foi a melhor coisa que eu já fiz na minha vida”. Os alunos foram selecionados para o projeto de acordo com o desempenho na escola. Aluna do 1º ano, Jeniffer Ferreira da Silva, de 13 anos, observou que às vezes também ensina os professores. “A gente ensina o português, quando eles têm dificuldade com algumas palavras, e um pouco da cultura brasileira. Está sendo legal conhecê-los”, disse.

Aluno do 2º ano, Gustavo Fernando Dias, de 16 anos, afirmou que está aprendendo muito. “Inglês, planilhas, slides”, listou. Marcos Paulo da Silva, de 15 anos, diz que o projeto é uma boa oportunidade de aprender. “É uma experiência nova para nós e para eles. Não vai ficar só aqui. Vamos carregar para a vida.” Ana Felipe de Oliveira, de 16 anos, já está de olho em como pode aproveitar o aprendizado. “Vai ser bom para o nosso futuro na hora de fazer uma faculdade, um curso. Também vai ajudar no currículo. Esperamos ter boas oportunidades de trabalho”, concluiu. Esta é a segunda edição do projeto em Campinas e a quarta no Brasil.

Escrito por:

Inaê Miranda