Publicado 09 de Agosto de 2015 - 5h00

Por Raquel Valli

Atleta carrega a tocha em uma das edições da NAE - os Jogos Olímpicos militares  para alunos do ensino médio

Ministério da Defesa

Atleta carrega a tocha em uma das edições da NAE - os Jogos Olímpicos militares para alunos do ensino médio

 Depois de Fabiana Murer, que em 2016 deve ir pela última vez aos Jogos Olímpicos, a próxima promessa campineira, no que diz respeito às futuras Olimpíadas, tem tudo para ser a pentatleta Victoria Marchesini Nogueira, de 17 anos – a única campinense na Federação Paulista de Pentatlo Moderno e promessa do esporte que reúne cinco modalidades - hipismo, esgrima, natação, tiro esportivo e corrida.

Victória foi descoberta por ninguém menos que o presidente da federação, Evandro Rodrigues de Souza, que a viu vencer uma prova de hipismo clássico na Sociedade Hípica de Campinas e percebeu que a garota tinha performance necessária para vir a ser uma pentatleta (Souza inclusive é quem a treina na esgrima e no tiro).

No Pentlato Moderno, vence quem tiver o melhor desempenho geral nas cinco modalidades, somando mais pontos. Por isso, o vencedor é considerado um atleta completo.

 A prova foi criada pelo fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna, Barão Pierre de Coubertin (1863 — 1937), que se inspirou no pentatlo da Grécia Antiga, composto por lançamento de disco, lançamento do dardo, salto à distância, corrida de estádio e luta grega - aptidões físicas necessárias à época.

Estreou nos Jogos Olímpicos de 1912, evocando os soldados de cavalaria do século XIX, aptos a montar, atirar, esgrimir, correr e nadar. Naquelas Olimpíadas, o futuro general dos Estados Unidos, que derrotou os nazistas na II Guerra Mundial, George S. Patton (1885 — 1945), amargou o quinto lugar.

Já Victória, que começou a treinar há cerca de um ano, já chamou a atenção do Exército Brasileiro e disputará no dia 19 de setembro o “Brasileiro Open de Verão/ Sul-americano” na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ) – campeonato que contempla civis e militares. Os pantatletas que conseguem índices determinados no Brasileiro são classificados para os Mundiais, e os classificados nos Mundiais ganham passaporte para Olimpíadas.

 Flávio Nogueira, pai e empresário de Victória, pretende que a filha se torne uma atleta militar e que ganhe uma Bolsa Pódio do Ministério do Esporte - tais quais as que possibilitaram ao Brasil a ter a melhor atuação do País na história dos Jogos Pan-Americanos .

Dos 590 brasileiros que participaram do Pan este ano, 123 estão ligados diretamente às Forças Armadas por meio do Programa de Alto Rendimento dos Ministérios da Defesa e do Esporte. Desses militares, 54% subiram ao pódio em Toronto. Por isso,“essa bolsa é o que existe de melhor no Brasil para os atletas”, afirma Nogueira. Entretanto, para que Victoria possa conquistar uma dessas, é preciso que ela tenha 18 anos completos, o que só acontecerá em 2 de fevereiro de 2016.

 Atualmente, a campineira ainda não conta com patrocínio. Os R$ 20 mil mensais necessários para mantê-la em atividade são diluídos com a ajuda de parceiros. A esgrima, o tiro e a corrida são treinados na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx); a natação, na “A Academia”; e a alimentação orientada pela nutricionista esportiva Mariana Mendes Bovi. “90% do rendimento da Victória hoje vem disso”, revela o pai.

E haja nutrição, porque a rotina é extenuante: colégio nas manhãs de segunda a sexta, e treinos até às 19h de segunda a sábado. Para quem deseja ingressar no esporte, a adolescente já dá conselho de adulto: “é preciso muita dedicação e persistência”.

E, em relação à recompensa, mostra-se categórica: “é muito gratificante, sobretudo quando se bate as metas”. Em relação às modalidades, a campineira prefere o hipismo e a esgrima, “por serem esportes mais técnicos”.

O fato do Pentatlo fazer com que Victoria tenha “cinco modalidades para apresentar a marca de patrocinadores (estando em evidência cinco vezes, ao invés de uma) faz com que a visibilidade dela seja diferencial”, pontua o pai. Quem tiver interesse em patrociná-la deve entrar em contato com Flavio Nogueira pelos Whats App: (19) 991296270/ 992199334.

Celeiro

Este ano, as Olimpíadas para estudantes militares de ensino médio serão disputadas em Campinas, na EsPCEx. Serão cerca de 500 alunos das escolas preparatórias da Marinha, Exército e Aeronáutica que disputarão os jogos de base.

Atleta carrega a tocha em uma das edições da NAE - os Jogos Olímpicos militares  para alunos do ensino médio As Forças Armadas “incentivam os jogos desportivos em todos os níveis, a exemplo da NAE - Olimpíada entre o Colégio Naval (CN), a Escola Preparatória de Cadetes (EsPCEx) e a Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAr) -, que proporciona a revelação de talentos”, informa o Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx).

“Por serem essas escolas o início da formação de oficiais - futuros líderes militares - é importante a iniciação desses jovens na prática desportiva para o desenvolvimento dos atributos e valores almejados na carreira, tais como o desenvolvimento da higidez física. O incentivo ao esporte vem em paralelo à necessidade de preparo contínuo das tropas para a atividade fim que é a defesa da pátria”, completa o Centro.

A 47ª edição da NAE será ralizada de 18 a 25 de setembro, com 11 modalidades esportivas, disputadas por alunos de 14 a 21 anos de idade, oriundos de todo o Brasil. Os jogos são promovidos pelo Ministério da Defesa, e cada ano uma das três escolas é a anfitriã. O evento é gratuito e aberto ao público para visitação.

Atletas militares prestam continência durante uma das edições da NAE - jogos olímpicos para alunos do ensino médio

Escrito por:

Raquel Valli