Publicado 06 de Agosto de 2015 - 5h00

Por Lauro Sampaio

Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que índices de umidade inferiores a 60% não são adequados à saúde.

César Rodrigues/ AAN

Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que índices de umidade inferiores a 60% não são adequados à saúde.

Pela primeira vez no ano o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) colocou Campinas na lista “vermelha” para queimadas — a de alto risco — em meio ao período de seca.

No site do órgão na quarta-feira (5), a cidade aparecia com a nota 0.8, dentro da escala de 0.7 a 0.95. A situação é considera crítica quando vai de 0.95 a 2.

De primeiro de janeiro a 3 de agosto deste ano o município sempre apareceu na classificação dos municípios de baixo risco e indeterminado.

De acordo com o sistema do Inpe, isso aconteceu porque a cidade vem registrando baixos índices de precipitações pluviométricas — não chove em Campinas desde 17 de julho — e a umidade relativa do ar na quarta foi de 24% (que colocou o município em estado de atenção pela Coordenadora da Defesa Civil do Estado e pelo URA (Monitoramento da Umidade Relativa do Ar).

Além de Campinas, Nova Odessa, Paulínia, Sumaré, Santa Bárbara do Oeste, Arthur Nogueira, Americana, Holambra, Indaiatuba e Monte Mor figuraram no alerta.

Na lista do Inpe, Campinas figurou ontem na sétima colocação do Estado entre municípios com registros de focos de incêndio, com três casos, recorde do ano no município. Paulínia ficou em quinto lugar, com quatro focos, e Hortolândia, em 37°, com um registro.

O coordenador regional da Defesa Civil de Campinas, Sidney Furtado, disse que, desde a semana passada, a pasta já tinha conhecimento da situação e que houve a intensificação das vistorias nas áreas consideradas de grande risco de incêndio — são 54 áreas ao todo em Campinas — para evitar que os problemas ocorram e coloquem o ecossistema e moradores em situação de perigo.

“Hoje (ontem) mesmo fizemos 18 vistorias, um recorde no ano. Vamos intensificar esse trabalho diariamente até setembro, quando as chuvas começam a acontecer com maior intensidade.”

Furtado afirmou que, embora a cidade esteja na lista de cidades em situação de risco elevado para incêndios, a situação no ano com relação ao tema está bem mais tranquila do que no ano passado, quando a cidade registrou quase 400 ocorrências de incêndios.

“O ano passado foi atípico, porque foi o ano de maior estiagem dos últimos 84 anos. Este ano registramos até agora 12 ocorrências de incêndios de maiores proporções. O Inpe, por exemplo, registrou 15 em Campinas de janeiro até agora, mas esse número pode ser maior no Corpo de Bombeiros, porque a corporação registra qualquer tipo de atendimento, desde o de pequena escala até o maior.”

No ano passado, o clima seco fez disparar a quantidade de queimadas na região de Campinas. O aumento foi de 259% e a Defesa Civil registrou mais de 400 focos de incêndio contra cem em 2013.

Situação é crítica em todo o Estado

A umidade relativa do ar no Estado de São Paulo tem estado baixa, com índices mínimos oscilando entre 20% e 35% no período da tarde. Os indicadores da Operação Corta Fogo demonstram um cenário crítico.

O número de focos de queimadas e incêndios florestais detectados por satélite entre janeiro e 4 de agosto deste ano foi 113% maior que no mesmo período do ano passado.

Aumento similar ocorreu com as ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros, que no 1º semestre de 2014 atendeu 127% mais chamados que no mesmo período do ano passado. E os prognósticos climáticos apontam pela frente um período com baixo volume de chuvas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que índices de umidade inferiores a 60% não são adequados à saúde. Com umidade entre 20% e 30%, recomenda-se evitar exercícios ao ar livre, consumir água e buscar locais protegidos do sol. 

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Lauro Sampaio